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EUA dizem que a ONU se "desacredita" com o relatório divulgado hoje

Casa Branca recusa encerramento do presídio de Guantánamo

16.02.2006 - 19:07 Por AFP, PUBLICO.PT

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A comissão da ONU questiona as práticas de interrogatórios e as condições de detenção em Guantánamo A comissão da ONU questiona as práticas de interrogatórios e as condições de detenção em Guantánamo (Andres Leighton/AP)
A Casa Branca entende que o relatório sobre as condições de detenção em Guantánamo “desacredita” a ONU e voltou a rejeitar o encerramento daquele presídio militar. Apesar dos protestos dos EUA, o Parlamento Europeu já apoiou a recomendação das Nações Unidas.

“Creio que a ONU está a desacreditar-se quando uma equipa como aquela se precipita para um relatório sem ter examinado os factos, atendo-se apenas a alegações”, afirmou Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca, reafirmando que o presídio alberga “perigosos terroristas”.

O documento, elaborado por uma comissão independente, exige a libertação dos detidos ou a sua transferência para prisões norte-americanas, depois de questionar as práticas de interrogatório e as condições de detenção dos cerca de 500 “combatentes inimigos” presos há quatro anos naquela base militar.

Há vários dias que a Casa Branca contestava, por antecipação, o trabalho da comissão, sublinhando que os peritos nomeados pela ONU não visitaram Guantánamo, o que os impediria de apresentar conclusões plausíveis. Com efeito, os investigadores rejeitaram deslocar-se à base, depois dos militares norte-americanos terem recusado a realização de entrevistas a sós com os detidos.

Confrontado com o relatório, McClellan afirmou que os peritos, nomeados pela polémica Comissão de Direitos Humanos mas independentes desta, terão sido manipulados.

“Sabemos que os membros da Al-Qaeda detidos foram treinados para espalhar alegações falsas”, afirmou o porta-voz, insistindo que alguns dos pontos do relatório “são um actualização das afirmações feitas por alguns advogados em nome de alguns detidos”.

Garantindo que os militares responsáveis pelo campo “tratam os detidos de forma humana”, o porta-voz lembrou que Washington concedeu “pleno acesso” a Guantánamo ao Comité Internacional da Cruz Vermelha. Contudo, a organização não pode divulgar os relatórios da visita, transmitidos apenas ao país que tutela os prisioneiros.

Parlamento Europeu defende encerramento

Horas depois de divulgado o relatório, o Parlamento Europeu adoptou uma resolução apelando aos EUA para que “encerrem o centro de detenção da Baía de Guantánamo” e julguem os presos aí detidos “perante um tribunal competente, independente e imparcial”.

Os eurodeputados pedem também “que cada prisioneiro seja tratado de acordo com a lei humanitária internacional e julgado sem demora no âmbito de uma audiência pública e equitativa”.

A resolução condena igualmente “qualquer forma de tortura ou maus tratos” e reafirma a necessidade dos EUA cumprirem a legislação internacional sobre esta matéria. A luta contra o terrorismo, sustentam os eurodeputados “não pode ser levada a cabo com sucesso se os direitos do Homem e as liberdades cívicas não forem plenamente respeitadas”.

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Comentário + votado

Bem, perigosos perigosos...

Se a casa branca acha que Guantanamo alberga gente muito perigosa, têm razão! Andam lá uns fulanos ...

Anónimo

17.02.2006 18:40

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