O encontro de hoje do Presidente norte-americano, Barack Obama, com o Papa Bento XVI em Itália deverá ser de conversações “francas e construtivas”, manifestou a Casa Branca com referência a alguns dos temas em que a nova Administração dos Estados Unidos e a Igreja Católica mantêm desacordo, como é o caso do aborto.
“Creio que terão uma conversa franca”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, na noite de quarta-feira, quando o Air Force One rumava a Itália, onde Obama participou até ontem na cimeira do G8. “Há muita coisa em que eles estão de acordo e que terão a oportunidade de conversar”, sublinhou, avaliando que a Casa Branca e o Papa “partilham a ideia de redução do armamento nuclear global” e também que Bento XVI segue “com interesse” as tentativas de Obama de reconciliação dos Estados Unidos com o mundo muçulmano.
Os dois líderes, que se reunirão ao meio-dia (hora local) têm visões coincidentes nas políticas de fim da pobreza assim como em relação aos esforços de paz no Médio Oriente. Já nos temas de divisão como o aborto “há passos que podem ser dados que revelarão progressos”, notou Gibbs, ilustrando com a questão das “gravidezes indesejadas ou a adopção”. Casa Branca e Vaticano estão divididos também no que se refere à pesquisa com células estaminais.
Obama, cristão praticante, fez um discurso controverso em Maio numa das mais influentes universidades católicas norte-americanas, Notre Dame, manifestando as ideias da sua Administração sobre o aborto – enquanto centenas de activistas protestavam no exterior contra a sensibilidade da Casa Branca a favor da despenalização da interrupção da gravidez. O Presidente afirmou então que “a certo nível, as opiniões dos dois campos são irreconciliáveis”, mas manifestou também que está em busca de “terreno comum”.


