"Cartoons" de Maomé: Bush insta países muçulmanos a porem fim à violência

08.02.2006 - 17:02 Por AFP, Reuters
O Presidente dos Estados Unidos exortou hoje os governos dos países muçulmanos a porem fim à violência que nos últimos dias tem acompanhado os protestos contra a publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé e instou os media a serem mais "responsáveis".
"Apelo aos governos do mundo inteiro para que façam parar a violência e para que protejam a propriedade e a vida de diplomatas inocentes", afirmou George W. Bush, no final de um encontro com o rei da Jordânia, naquela que foi a sua primeira declaração após os ataques do último fim-de-semana contra embaixadas europeias em países do Médio Oriente.
Bush revelou ter discutido com o Abdallah II a reacção do mundo muçulmano à publicação na imprensa europeia dos "cartoons" sobre Maomé, um assunto que disse "requerer muita discussão e uma abordagem sensível".
"Acreditamos na liberdade de imprensa, mas reconhecemos que a liberdade implica responsabilidade. Com a liberdade surge a responsabilidade de sermos ponderados em relação aos outros", sublinhou.
Bush citou os EUA como um exemplo de tolerância: "A nossa nação é uma nação que acredita na tolerância e na compreensão mútua. Na América acolhemos todas as pessoas e as suas crenças".
No entanto, o Presidente norte-americano sublinha que a forma como muitos países muçulmanos têm mostrado o seu descontentamento não é aceitável. "Rejeitamos a violência como forma de expressar descontentamento com aquilo que possa ter sido publicado por uma imprensa livre", concluiu.
Por seu lado, o rei da Jordânia condenou a violência de que têm sido alvo embaixadas e interesses europeus em vários países de maioria muçulmana, mas foi muito mais crítico com a imprensa ocidental.
"Com todo o respeito pela liberdade de imprensa, tudo o que avilta o profeta Maomé – que a paz esteja com ele – ou fere a sensibilidade dos muçulmanos deve ser condenado", afirmou Abdullah.
Contudo, "os que querem protestar devem fazê-lo de forma contida", afirmou, considerando "totalmente inaceitável" que tenham ocorrido "destruições, violência e sobretudo morte de pessoas inocentes".


