A tripulação de um porta-contentores capturado esta manhã por piratas somalis no oceano Índico, com uma tripulação de 21 norte-americanos, terá conseguido recuperar o controlo do navio, mas o capitão continuaria refém dos piratas.
Uma fonte do Pentágono disse hoje que os tripulantes do Alabama Maersk tinham conseguido retomar o controlo do navio de 17 mil toneladas, ,mas o presidente da Maersk Line, John Reinhart, não quis confirmar a informação.
A televisão CNN entrevistou por telefone o imediato do navio, Ken Quinn, que confirmou que os tripulantes tinham conseguido dominar os quatro piratas, mas não tinham conseguido impedi-los de fugir num salva-vidas do porta contentores, após terem sequestrado o capitão.
“O nosso capitão ficou refém deles e eles estão a pedir um resgate”, disse o imediato do Alabama Maersk. “Oferecemos em comida em troco da sua libertação, mas não correu bem”.
O oficial referiu que a tripulação manteve um dos quatro piratas em seu poder durante 12 horas e entregou-o aos piratas, na esperança de conseguir a libertação do capitão, o que acabaria por não acontecer.
Um dos tripulantes telefonou ao pai, um instrutor naval no Massachusetts, e disse-lhe que os tripulantes controlavam o navio, diz a Associated Press.
Os piratas afundaram o navio a bordo do qual abordaram o porta-contentores, que viajava de Djibuti para a capital da Somália, Mogadíscio, e transportava comida e ajuda humanitária.
O sequestro aconteceu no oceano Índico, a 500 quilómetros da costa da Somália, o que é considerado um sinal de uma mudança de estratégia dos piratas, devido ao intenso patrulhamento naval da zona, na sequência do aumento de ataques a navios mercantes no ano passado, no golfo de Áden.
Desde 1 de Março, 25 navios foram atacados e sete sequestrados e 74 tripulantes encontram-se reféns dos piratas, de acordo com uns dados do Piracy Reporting Centre do International Maritime Bureau (IMB), um organismo ligado à marinha mercante.
“Este aumento do número de ataques é preocupante por várias razões, a mais importante das quais é o facto de acontecerem a muitas centenas da costa da Somália. O problema da pirataria somali espalhou-se agora aos países vizinhos e ameaça as rotas comerciais e os portos desses países. Estes últimos ataques mostram que os piratas conseguem operar com êxito no mar alto, usando navios-mãe”, disse o director do IMB, Pottengal Mukundan, citado pelo site da organização.
Não há informações de que tenha havido feridos em consequência do assalto de hoje e um destroyer norte-americano, o Bainbridge, está a dirigir-se para o local, segundo a agência Reuters.
A marinha norte-americana estaria em condições de lançar uma operação de tropas especiais, diz o “Guardian”. Segundo este diário, o Maersk Alabama faz parte do Programa de Segurança Marítima norte-americano, um conjunto de navios mercantes que podem ser usados para fins civis e já terá transportado armamento. Analistas ouvidos por esse jornal acreditam que os piratas não teriam compreendido a importância do navio.
Notícia actualizada às 20.54



