Cabul acordou com série de atentados, apenas alguns frustrados pela polícia

11.02.2009 - 08:57 Por Dulce Furtado, com agências
Dois atentados suicidas em simultâneo abalaram esta manhã a capital afegã, Cabul, tomando por alvo edifícios da administração prisional na zona norte da cidade, relatavam fontes policiais locais. Ao terceiro balanço de vítimas, feito ao fim da manhã, as autoridades revelavam registarem-se 26 mortos, na maioria civis, e 55 feridos – poucas horas apenas após ter sido contabilizada uma dezena de vítimas mortais. Foi ainda anunciado que oito bombistas morreram nas explosões ou foram mortos pela polícia.
“O chão estava manchado de sangue e havia pedaços de corpos por todo o lado, provavelmente dos dois kamikazes”, descreveu fonte policial, avançando que os dois bombistas se aproximaram a pé do local, no distrito de Khair Khana, tendo um começado a disparar contra os guardas na entrada principal do edifício enquanto o segundo tentava franquear a entrada. “Depois fizeram-se ambos explodir”.
Um terceiro bombista suicida foi morto pelos agentes de segurança em frente ao Ministério da Educação, de acordo com informações prestadas pelo Ministério do Interior afegão. “A bomba que [o kamikaze] envergava explodiu mas não feriu ninguém”, precisou.
Ao mesmo tempo, a agência britânica Reuters relatou que se tinha verificado uma acesa troca de tiros entre a polícia e dois bombistas perto do palácio presidencial, área da capital sob apertadíssima segurança, onde se localizam embaixadas e edifícios governamentais – também aqui dois suspeitos kamikazes foram mortos, mas antes de fazerem explodir as bombas que traziam no corpo.
Todos os atentados foram prontamente reivindicados pelos taliban através de telefonemas feitos para órgãos de comunicação afegãos. Pelo menos sete bombistas suicidas estavam esta manhã em Cabul com planos de ataque a edifícios governamentais, incluindo o Ministério da Justiça e edifícios da administração prisional, numa missão de “vingança” contra o tratamento dado aos rebeldes taliban aprisionados, disse o próprio grupo.
Estes atentados surgem numa altura em que se regista um claro agravamento da situação de segurança no Afeganistão, um dia apenas antes da chegada prevista a Cabul do novo enviado especial dos Estados Unidos, Richard Holbrooke. Ainda no início desta semana, o chefe militar norte-americano, Mike Mullen, insistia na necessidade urgente de serem mobilizadas mais tropas para o Afeganistão – uma ideia, aliás, já mencionada pelo novo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que disse querer enviar nos próximos 18 meses mais 30 mil soldados para se juntarem aos cerca de 32 mil estacionados no país.
O Ministério do Interior afegão está agora a investigar se os ataques foram efectivamente coordenados, mas não tinha, para já, detalhes a avançar sobre a natureza dos atentados.
A capital afegã, até há uns dois anos uma zona “poupada” aos ataques dos rebeldes islamistas, tornou-se agora palco de atentados cada vez mais frequentes e audazes, sinalizando que o movimento do antigo regime dos estudantes de Teologia está a ganhar terreno, apesar da presença de quase 70 mil soldados estrangeiros no país – as forças combinadas dos Estados Unidos e restantes parceiros da NATO.
Notícia actualizada às 12h00

