Bush: retirada precipitada do Iraque teria consequências “devastadoras” para os EUA

19.03.2007 - 17:49 Por Reuters, PUBLICO.PT
Na véspera do quarto aniversário da invasão do Iraque, o Presidente norte-americano alertou a opinião pública cada vez mais descrente no conflito que uma retirada precipitada das tropas dos EUA teria consequências “devastadoras” para a segurança do país.
Com as últimas sondagens a indicarem que a sua popularidade é a mais baixa desde que chegou à Casa Branca, George W. Bush fez uma declaração ao país para defender o envio de reforços para o Iraque e pedir paciência aos americanos, avisando que pela frente haverá ainda “dias maus”.
“Quatro anos depois da guerra ter começado, a luta continua difícil mas pode ser vencida”, afirmou, sublinhando que a vitória depende “da coragem e da firmeza” com que o desafio for encarado.
Bush acredita que o novo plano de segurança para o Iraque – que incluiu o envio de 21.500 reforços – “está ainda no início” e são necessários “vários meses” até que os progressos sejam visíveis, mas há já no terreno “sinais portadores de esperança”. Segundo o comando militar, a violência sectária no Iraque diminui para metade no último mês.
Apesar dos progressos, Bush voltou a rejeitar um calendário para a retirada das tropas, tal como pretende a maioria da oposição democrata. “Pode ser tentador olhar para os desafios existentes no Iraque e concluir que a nossa melhor opção é fazer as malas e regressar a casa. Isso pode ser bom a curto prazo, mas creio que as consequências seriam devastadoras para a segurança americana”.
A Câmara dos Representantes prepara-se para debater uma proposta condicionando a aprovação de mais fundos para a guerra à garantia de que as tropas regressarão a casa até Setembro do próximo ano. Uma iniciativa semelhante foi chumbada no Senado e Bush já anunciou que irá vetar qualquer diploma deste género.
O discurso do Presidente americano parece, no entanto, encontrar cada vez menos eco na sociedade norte-americana. Segundo uma sondagem divulgada a semana passada pela CNN, apenas 30 por cento dos americanos apoiam a continuação da guerra, contra os 70 por cento que a apoiaram aquando da invasão. Este fim-de-semana, milhares de americanos saíram à rua em várias cidades para, à semelhança do que aconteceu noutros países, pedir o fim da guerra.
Um novo estudo divulgado hoje mostra que o sentimento é semelhante entre a população iraquiana. O estudo, encomendado pelas televisões BBC, ABC, ARD e o jornal “USA Today” revela que quatro em cada cinco iraquianos desconfia dos militares americanos e a maioria acredita que a sua presença apenas contribui para o agravamento da insegurança. Ainda assim, apenas um terço dos dois mil inquiridos quer a partida imediata dos militares estrangeiros.

