Bush recusa comentar existência de escutas telefónicas extra-judiciais

16.12.2005 - 22:15 Por AFP, Reuters
O Presidente norte-americano, George W. Bush, recusou hoje comentar informações segundo as quais terá ordenado, após os atentados de 11 de Setembro, a realização de escutas telefónicas, sem autorização judicial, a cerca de um milhar de pessoas.
Reagindo à notícia avançada pela edição de hoje do “The New York Times”, Bush sublinhou a importância de manter o sigilo sobre as operações de espionagem, mas também a importância de respeitar a lei.
“Não comentamos operações de espionagem que estão em curso para proteger o país”, afirmou, em declarações à estação pública de televisão PBS. “É importante não falar, isto porque estamos em guerra contra um inimigo que continua a querer atacar-nos”, insistiu.
Contudo, “o que quer que eu faça para proteger o povo americano, respeitarei a lei e as decisões devem ser tomadas com a consciência que temos a obrigação de proteger as liberdades cívicas do povo americano”, afirmou.
Bush escudou-se também no dever de sigilo para não responder ao entrevistador, quando foi questionado sobre o risco destas afirmações puderem ser entendidas como uma confirmação da notícia do “The New York Times”.
Horas antes, o porta-voz da Casa Branca recusou também confirmar ou desmentir as notícias do diário.
Segundo o “The New York Times”, Bush assinou, no início de 2002, uma ordem autorizando a Agência para Segurança Nacional (NSA), responsável pela vigilância das comunicações, a interceptar comunicações telefónicas e electrónicas entre pessoas residentes no país e destinatários estrangeiros, sem mandado judicial.
Ao abrigo desta ordem, telefonemas e mensagens electrónicas de várias centenas de pessoas, quer americanos quer estrangeiros residentes no país, foram interceptadas nos últimos três anos, à margem da lei, noticia o jornal.
A notícia surge no dia em que o Senado bloqueou renovação de alguns dos diplomas mais polémicos do Patriot Act, a extensa legislação aprovada após os atentados de 2001, que concede amplos poderes às forças de segurança para invadir a privacidade dos cidadãos, sempre que haja suspeitas de envolvimento em actividades terroristas.
A maioria das medidas previstas pelo diploma têm carácter vitalício, mas a vigência de 16 delas, consideradas mais polémicas, expira no final deste ano. A Casa Branca pretendia a autorização do Senado para tornar permanentes estes disposições (como a que autoriza a consulta de dados médicos e registo bibliográficos), mas a maioria dos senadores entende que deve haver uma maior discussão sobre esta matéria antes de se pronunciar.

