Bush não queria que Brown sucedesse a Blair como primeiro-ministro britânico

29.08.2010 - 11:46 Por PÚBLICO
Tony Blair tentou prolongar o seu mandato como primeiro-ministro britânico depois de avisado de que a Administração Bush tinha “graves dúvidas” sobre a capacidade de Gordon Brown para lhe suceder, escreve hoje o "The Sunday Telegraph".
Blair foi informado que o Presidente George W. Bush e os que o rodeavam teriam “grandes problemas” em trabalhar com Brown, pelo que procurou agarrar-se ao poder até pelo menos 2008 e preparar David Miliband para vir a ser o seu sucessor, disseram as fontes daquele jornal britânico.
Altos funcionários da Administração Bush deram o alerta de que Washington não estava contente depois de uma reunião que Brown manteve com a então secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, a qual não teria gostado das suas considerações sobre a política dos Estados Unidos quanto à ajuda externa, ao desenvolvimento e a África.
Terminadas as conversações, Rice teria ido dizer à Casa Branca que não confiava mesmo nada em Brown, pelo que Bush passou a Blair o recado de que não deveria pensar em entregar o Governo ao ministro responsável pelos assuntos económicos e financeiros.
Assim avisado, de acordo com este artigo do "Sunday Telegraph", Blair manifestou a intenção de ficar no número 10 de Downing Street pelo menos até 2008, ano das eleições presidenciais norte-americanas que iriam escolher o sucessor de George W. Bush, que não gostava mesmo nada de Gordon Brown.
No entanto, Tony Blair foi obrigado a abandonar esse plano depois de um “golpe” dado pelos partidários de Brown, que acabaria por se tornar primeiro-ministro em Junho de 2007 e por seguir uma política externa mais independente dos Estados Unidos do que a de Blair tinha sido.
O conluio entre Bush e Blair foi revelado ao "Sunday Telegraph" por fontes governamentais britânicas, mas um porta-voz do antigo primeiro-ministro desmentiu, a noite passada, que ele tivesse recebido da Casa Branca qualquer conselho no sentido de não passar o testemunho a Brown.
Muita gente no Partido Trabalhista sempre entendeu que Blair nunca deixara de estar disponível para apoiar George W. Bush, particularmente quando se tratou de em 2007 declarar guerra ao Iraque.
O delfim era Miliband
Depois da reunião com Rice, os conselheiros de Brown ficaram convencidos de que Tony Blair começava a preparar David Miliband, então ministro do Ambiente, para lhe suceder. E não gostaram dos avisos do primeiro-ministro ao nessa altura titular do Tesouro de que deveria ter uma atitude diferente, eventualmente mais condescendente, em relação a destacados políticos norte-americanos.
David Miliband, que em 2007 não chegou a procurar disputar a Brown o papel principal, vai esta semana aumentar a campanha para se tornar o novo líder do Labour.
Entretanto, numa entrevista ao "The Independent on Sunday", talvez para se afastar da imagem de pessoa muito próxima de Washington, Miliband afirmou hoje que “coisas más foram feitas pelos americanos de pois de 2002 e eles não disseram nada a ninguém”.
Referia-se muito em particular às torturas a que foram sujeitos indivíduos suspeitos de terrorismo, depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001 contra as Torres Gémeas do World Trade Center de Nova Iorque.


