O Presidente norte-americano afirmou hoje que não apoiará um Governo palestiniano formado pelo movimento radical islâmico Hamas. Manifestando-se sobre outro dos principais temas da actualidade internacional, George W. Bush anunciou ainda que os Estados Unidos estão a tentar criar uma frente unida para impedir progressos no programa nuclear iraniano.
“O partido Hamas esclareceu que não apoia o direito de Israel” em existir como Estado, afirmou o chefe de Estado norte-americano, após uma reunião com o seu gabinete, indicando que deixa “bem claro que enquanto essa for a sua política” os Estados Unidos “não apoiarão um Governo palestiniano formado pelo Hamas”.
Bush considera que o Hamas, que venceu as eleições legislativas, conseguindo 74 lugares no Parlamento palestiniano, deve entregar as armas e abandonar o terrorismo.
A vitória do Hamas nas legislativas palestinianas lançou uma nova sombra sobre o processo de paz no Médio Oriente, já que o movimento, agora no poder, não reconhece a existência do Estado de Israel e garante que não irá renunciar à luta armada. Em resposta, Israel garantiu que não irá negociar “com um Governo terrorista”.
Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou, após um encontro com o primeiro-ministro interino israelita, Ehud Olmert, que a União Europeia não financiará a Autoridade Palestiniana sob o Governo do Hamas, se o movimento radical islâmico insistir em não reconhecer Israel e continuar com a violência.
O Hamas respondeu hoje, através de um dos seus principais líderes, Ismail Haniyeh, que o movimento pede um diálogo “sem condições com um espírito de neutralidade” e a continuação do financiamento à Autoridade Palestiniana.
Além da questão palestiniana, Bush comentou a situação do programa nuclear iraniano, quando decorrem conversações entre o Irão e a União Europeia, na Bélgica, e que, para já, não apresentam progressos, como afirmou John Sawers, um responsável britânico que participa no encontro. De acordo com Sawers, a delegação iraniana não apresentou nada de novo quanto ao seu programa nuclear.
Bush defendeu que cabe aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China – trabalharem em conjunto para levar a questão iraniana à discussão daquele órgão da ONU. Para esta noite, está previsto que a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, se junte, em Londres, aos homólogos dos restantes membros do Conselho de Segurança e da Alemanha para analisar a situação.
Para já, Bush assegura que os Estados Unidos “vão continuar a trabalhar com os seus amigos e aliados para apresentar uma frente unida aos iranianos”. “E a mensagem é: desistam das vossas ambições de armas nucleares”, continuou o Presidente norte-americano.


