O Presidente norte-americano fez hoje um apelo ao voto nas eleições para a escolha do seu sucessor, na recta final de uma campanha em que foi o alvo de todas as críticas, em particular dos democratas, mas também de vários sectores republicanos.
“Após meses de um debate inflamado e de uma campanha vigorosa, chegou o momento para os americanos tomarem decisões importantes quanto ao futuro do nosso país. Encorajo todos a irem às urnas votar”, declarou George W. Bush, na sua intervenção semanal pela rádio.
Na próxima terça-feira, os norte-americanos vão eleger o seu 44º Presidente, parte dos lugares do Congresso e alguns governadores estaduais, um escrutínio que coincide com um momento de grande preocupação com a economia do país e de incerteza em relação ao desenrolar das guerras no Iraque e Afeganistão.
Tanto o candidato democrata, Barack Obama, como o seu rival republicano, John McCain, prometeram políticas diferentes das seguidas por George W. Bush, que dentro de meses irá abandonar a Casa Branca com uma das mais baixas taxas de popularidade da história americana, depois de dois mandatos que ficaram marcados por duas guerras, lançadas após os atentados de 11 de Setembro, e pela crise financeira desencadeada pelo rebentar da bolha especulativa no sector imobiliário.
Obama dedicou boa parte da campanha a comparar McCain ao actual inquilino da Casa Branca, insistindo que uma vitória do republicano equivaleria a mais quatro anos de presidência Bush. Quanto a McCain, vencido nas primárias republicanas de 2000 por Bush, nunca se distanciou completamente do actual Presidente, apesar de ter dito publicamente que ele “simplesmente deixou as coisas fugirem-lhe ao controlo”.
Mantendo a distância que prometera, e que o levaram mesmo nas últimas duas semanas a racionar as suas declarações públicas, Bush não vai comparecer este fim-de-semana nos últimos comícios de McCain, passando o fim-de-semana na residência de Camp David, em Maryland. Também o vice-presidente, talvez a figura mais controversa da actual Administração, não deverá fazer aparições públicas nos próximos dias.
Mesmo no dia da eleição, não são esperadas declarações do Presidente, que votou no passado dia 24 por antecipação, e que deverá passar a noite eleitoral na Casa Branca.
Questionado sobre esta parcimónia mediática, Tony Fratto, porta-voz da presidência, garantiu que Bush continua concentrado na resolução da crise financeira, na gestão dos conflitos em que o país está envolvido e na preparação da transição: “A verdade é que tentamos não roubar a ribalta neste período eleitoral. Há dois homens em competição para decidir o próximo Presidente dos EUA e não queremos complicar-lhes a tarefa”.


