O regime comunista cubano não deverá sobreviver à morte do seu líder, Fidel Castro, afirmou hoje George W. Bush numa entrevista a vários jornais latino-americanos a propósito da sua iminente visita à região.
"Não sei quanto tempo vai viver, mas creio que o sistema de governo que impôs ao povo deve deixar de existir se o povo assim o decidir", disse Bush na entrevista, dada ontem e publicada hoje.
Fidel Castro, de 80 anos, viu-se forçado a transferir temporariamente o poder para as mãos do seu irmão, Raul, em Julho passado, na sequência de uma operação aos intestinos.
Questionado sobre a eventualidade de Raul Castro assumir o cargo de forma permanente, o Presidente norte-americano pronunciou-se indirectamente: "O que espero que aconteça é que estejamos todos de acordo de que transição não é passar de uma figura para outra mas significa passar de um tipo de governo para um tipo de governo diferente, com base na vontade do povo".
"Esperamos que o povo veja respeitado o seu direito a expressar-se livremente, sem medo da repressão, a exprimir-se nas urnas e a alcançar o seu pleno potencial através da abertura de mercados", disse.
Bush inicia amanhã, no Brasil, uma visita a vários países da América Latina, incluindo Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.
Esta viagem de Bush é vista por grande parte dos analistas como uma tentativa de reforçar a influência dos Estados Unidos numa região onde crescem de tom as críticas à administração norte-americana, designadamente as contidas no discurso populista do Presidente venezuelano Hugo Chávez.
George W. Bush minimizou, aliás, a importância da manifestação contra si prevista para Buenos Aires e na qual Chávez vai participar: "Há manifestações de rua em muitos dos sítios onde vou e a minha atitude é sempre mesma: eu prezo a liberdade e o direito das pessoas a manifestarem-se".
Questionado sobre o modelo económico venezuelano de nacionalizações e controlo estatal da economia, Bush afirmou: "Acredito fortemente que uma indústria dirigida pelo governo é ineficaz e vai aumentar a pobreza".
"Por isso, a mensagem que os Estados Unidos querem trazer a esta reunião é uma mensagem favorável aos mercados abertos e aos regimes abertos", disse.
O Presidente norte-americano admitiu que o modelo que defende pode levar algum tempo a produzir resultados concretos e a suscitar "frustração para com os governos", mas frisou que isso "não significa que seja de voltar a um outro modelo que não vai funcionar".



