O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou esta noite o envio de mais 21.500 soldados para o Iraque. Depois de afirmar que já deveria ter tomado essa decisão há mais tempo, Bush sublinhou que o país ainda precisa da presença militar norte-americana.
"Mobilizei mais de 20 mil soldados americanos para o Iraque. A maioria — cinco brigadas — será enviada para Bagdad", anunciou George W. Bush num discurso transmitido pela televisão a partir da Casa Branca.
"A situação no Iraque é inaceitável para o povo americano e é inaceitável para mim", sublinhou, assumindo a responsabilidade por todos os erros cometidos.
Para Bush, se os Estados Unidos retirassem os seus militares do país, "o Governo iraquiano não se aguentaria; o país desintegrar-se-ia e haveria um massacre de dimensões inimagináveis".
O Presidente americano anunciou ainda que, até Novembro, o Executivo iraquiano assumirá o controlo de todas as províncias do país, mas avisou os governantes locais de que podem "perder o apoio dos americanos" se não cumprirem as promessas que fizeram. "O envolvimento dos Estados Unidos não é ilimitado", lançou.
Presidente prepara americanos para aumento do número de mortos
"Mesmo que a nossa nova estratégia funcione exactamente como está previsto, os actos de violência vão continuar e, por isso, vão morrer mais iraquianos e americanos", sublinhou.
George W. Bush anunciou ainda a nomeação pelo Departamento de Estado de um coordenador para Bagdad, "para garantir que a ajuda económica fornecida ao Iraque tenha os melhores resultados".
O novo plano de Bush representa um custo total de 6,8 mil milhões de dólares. Os EUA já gastaram 350 mil milhões de dólares desde a invasão do Iraque, no dia 20 de Março de 2003. Esta nova injecção de dinheiro servirá para relançar a economia, as organizações da sociedade civil e reabilitar infra-estruturas e o sistema judiciário iraquiano.
Reforço começa no próximo domingo
O reforço militar anunciado por Bush será composto por quatro mil marines, a destacar na província de Al-Anbar, e 17.500 soldados de outras especialidades, que serão colocados na capital. Estes dois grupos juntam-se aos 132 mil militares americanos que já estão no Iraque. Segundo um responsável americano, o envio dos reforços vai fazer-se progressivamente, com um primeiro destacamento a partir do próximo domingo.
Quatro anos depois da invasão do Iraque, mais de três mil soldados americanos morreram e mais de 22 mil ficaram feridos. Em média, morrem por dia cem civis iraquianos.
Partido Democrata contesta decisão de Bush
A oposição democrata — em maioria no Congresso desde este mês — rejeitou em bloco o plano de George W. Bush.
"A decisão do Presidente é má para o Iraque e é má para a América — é tempo de o novo Congresso impedir Bush de continuar obstinadamente no Iraque uma estratégia que já falhou", afirmou John Edwards, candidato às presidenciais de 2008.
"Não posso dar o meu apoio à escalada que ele [George W. Bush] propõe para a guerra no Iraque", disse, por seu lado, a senadora democrata Hillary Clinton, que é também apontada como possível candidata às eleições do próximo ano. Clinton denunciou ainda o que diz ser "a incompetência e a ignorância" da Administração Bush.
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