Bruxelas pronta a avançar para assinatura de um acordo de reaproximação UE/Sérvia

06.11.2007 - 12:59 Por Lusa
A Comissão Europeia anunciou que os esforços de Belgrado para prender o fugitivo Ratko Mladic são suficientes para se avançar para a assinatura de um acordo de reaproximação entre a UE e a Sérvia.
A decisão mostra uma evolução em relação à última declaração da Procuradora do Tribunal Penal Internacional, Carla del Ponte, no conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em 15 de Outubro, no qual afirmou que a Sérvia continuava a não mostrar vontade de perseguir e entregar quatro suspeitos de crimes de guerra.
A cooperação plena da Sérvia com o tribunal era um requisito fundamental para que a União Europeia assinasse um pacto de auxílio e comércio com esta nação dos Balcãs.
"A cooperação é ainda demasiado lenta e não é suficiente", afirmou Del Ponte aos chefes da diplomacia da UE.
"O facto de Ratko Mladic estar ainda em fuga após todas as promessas e declarações que foram feitas ao longo dos anos demonstra claramente isso mesmo", afirmou a procuradora, acrescentando estar "absolutamente convencida de que o governo da Sérvia possui os recursos e os meios para localizar e prender os fugitivos". Del Ponte adiantou ainda que não poderá realizar uma avaliação positiva de cooperação plena enquanto Mladic não for entregue ao tribunal de Haia.
A UE adiou a assinatura do novo acordo de associação, pré-adesão, com Belgrado até receber uma apreciação de Carla del Ponte.
O comissário para o Alargamento da UE, Olli Rehn, e os ministros dos Negócios Estrangeiros tinham pedido à procuradora que os informasse sobre os progressos que estavam a ser feitos pelo governo sérvio para satisfazer as exigências internacionais.
Del Ponte disse aos ministros que tencionava regressar a Belgrado a 25 de Outubro para avaliar novamente o nível de cooperação.
Mladic e Karadzic são acusados de terem orquestrado o massacre, em 1995, de 8000 muçulmanos de Srebrenica - a pior atrocidade na Europa desde a II Guerra Mundial - e sitiado a capital bósnia, Sarajevo, durante três anos.
Os dois outros fugitivos que se pensa estarem escondidos na Sérvia são Goran Hadzic, um antigo líder dos rebeldes croatas sérvios, e Stojan Zupljanin, um comandante da polícia sérvia da Bósnia no tempo da guerra.


