Brown confirma disponibilidade para enviar mais 500 soldados para o Afeganistão

14.10.2009 - 13:52 Por PÚBLICO
Gordon Brown anunciou hoje estar disponível para enviar mais 500 soldados para o Afeganistão. O primeiro-ministro insiste que a missão naquele país é determinante para “proteger as ruas britânicas” do terrorismo, mas uma sondagem divulgada hoje revela que um terço dos inquiridos quer uma retirada imediata das tropas.
O líder trabalhista explicou que o envio dos reforços só acontecerá se o Governo afegão disponibilizar soldados “treinados e preparados para combater” ao lado das tropas estrangeiras e mediante garantias de que os militares terão ao seu dispor o equipamento necessário para a missão.
O Governo britânico quer também garantias de que os outros países da NATO assumem a sua “parte justa” no reforço da ISAF, força internacional que conta já com mais de cem mil soldados. Os EUA são o principal contribuinte, com uma força que até ao final do ano deverá ascender a 68 mil soldados, seguidos do Reino Unido, que têm já no terreno nove mil militares.
Gordon Brown fez o anúncio na primeira sessão de perguntas semanais da nova sessão legislativa, que iniciou recordando o nome dos 37 soldados mortos em combates durante as férias parlamentares. Questionado pelo líder dos conservadores, David Cameron, o primeiro-ministro garantiu que os soldados que partem para o Afeganistão estão a receber o treino adequado e prometeu dar prioridade aos veteranos nos cuidados de saúde mental.
O líder dos liberais-democratas, Nick Clegg, questionou-o sobre a legitimidade de enviar soldados “para lutar e morrer por um Governo afegão que é profundamente corrupto”, dando como exemplo as fraudes ocorridas nas presidenciais de Agosto, cujos resultados finais ainda não foram anunciados. Brown lamentou “a dimensão das fraudes ocorridas”, mas sublinhou que o simples facto de ter sido possível a eleição no actual cenário de guerra foi “notável”. E insistiu que a retirada das tropas do Afeganistão permitiria à Al-Qaeda reconstruir a sua influência no país, usando como base para lançar ataques contra a Europa.
Mas os argumentos – semelhantes aos esgrimidos pelo Presidente norte-americano ao definir o Afeganistão como a principal prioridade da sua agenda externa – parecem incapazes de convencer uma opinião pública desgastada pela morte, desde o início do ano, de 84 soldados.
O jornal Times publica hoje uma sondagem, segundo a qual mais de um terço dos britânicos quer uma retirada imediata das tropas britânicas, mais sete pontos percentuais do que num estudo divulgado em meados do mês passado. Segundo o diário, a oposição é maior entre as mulheres (40 por cento) e entre os que se identificam como trabalhistas – uma conclusão incómoda para Brown a meses das legislativas.


