Brigadas líbias estão a torturar e matar antigos combatentes de Khadafi

26.01.2012 - 14:02 Por PÚBLICO
Antigos combatentes líbios, que lutaram ao lado de Muammar Khadafi na guerra, foram mortos e torturados nos lugares onde estavam detidos, denunciou nesta quinta-feira a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, e a Amnistia Internacional.
Segundo esta organização de defesa dos direitos humanos, a prática de tortura na Líbia pós-Khadafi é “generalizada”. “Vários detidos são mortos quando estão à guarda de milícias armadas nas regiões de Trípoli e Misurata, em circunstâncias que sugerem tortura”, indicou a AI num comunicado. “Tinham feridas na cabeça, nos membros, nas costas e noutras partes do corpo” que indicam tortura nos últimos dias ou semanas.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras anunciou o fim da sua actividade nos centros de detenção em Misurata precisamente devido a “tortura sobre prisioneiros e a impossibilidade de lhes ser dada assistência médica de emergência”.
Segundo a Amnistia Internacional, “a tortura é praticada por militares reconhecidos oficialmente e por organismos de segurança, assim como por milicias armadas que operam dentro do quadro legal”.
Muitas brigadas que lutaram contra o antigo regime durante a guerra civil que provocou a queda de Muammar Khadafi ainda estão activas. De acordo com as Nações Unidas, estas milícias têm campos de detenção secretos onde se encontram milhares de prisioneiros. Segundo as Nações Unidas, muitos destes detidos são oriundos da região subsariana de África, podendo ter sido mercenários ocntratados por Khadafi para lutarem a seu lado.
O Governo de Trípoli prometeu conter as milicias, conhecidas por "brigadas revolucionárias" — esta semana envolveram-se em confrontos com bolsas khadafistas que tentaram ocupar a cidade de Bani Walid. Porém, disse Navi Pillay, o Governo líbio “ainda não detém o controlo efectivo” sobre estas “brigadas” que não foram integradas no Exército regular.
Pillay disse estar “muito inqueta” quanto às condições de detenção das pessoas presas por estas brigadas e confirmou ter "informações alarmantes sobre torturas".

