Bósnia pode desintegrar-se se a comunidade internacional não lhe prestar atenção

22.10.2008 - 13:17 Por Reuters
A Bósnia poderá desintegrar-se se a comunidade internacional não se envolver mais no processo de unificação do país, indicaram hoje os ex-enviados americano Richard Holbrooke e britânico Paddy Ashdown, que ajudaram a pôr fim à guerra e a consolidar a paz no país.
“Há quase 13 anos, a liderança americana conseguiu pôr fim à guerra na Bósnia através dos Acordos de Dayton. Tal como em 1995, é precisa agora unidade transatlântica para que não caminhemos sonâmbulos por outra crise”, indicam os responsáveis num artigo publicado por um diário bósnio.
Holbrooke, antigo vice-secretário de Estado para a Europa negociou pessoalmente os acordos de paz de Dayton que puseram fim à guerra e Ashdown serviu como Alto Representante na Bósnia entre 2002 e 2006. “É tempo de voltar a prestar atenção ao país, se não quisermos que as coisas voltem a ficar feias dentro de pouco tempo. Por agora já devíamos todos saber qual é o preço a pagar”, indicam os responsáveis no mesmo artigo.
Os acordos de paz de Dayton dividiram o país em duas regiões autónomas, a república sérvia e a federação muçulmana-croata, que têm coexistido de forma mais ou menos tensa, sob uma aliança fraca forjada num governo central com base em Sarajevo.
As animosidades têm vindo a agravar-se entre os líderes rivais Haris Silajdzic, o líder muçulmano que assume a presidência do pequeno Estado inter-étnico e o primeiro-ministro sérvio Milorad Dodik, que chegou ao poder em 2006.
“Dodik respeita os acordos de paz de Dayton e Silajdzic quer revê-los, mas ambos os homens estão a violar os seus princípios de base: um sistema federal dentro de um Estado único. Esta interacção tóxica está na raiz da actual crise na Bósnia”, alertaram os diplomatas.
Em resultado das animosidades inter-culturais, “as suspeitas e os medos que deram início à guerra de 1992 estão agora reforçados”. “Esta situação é o resultado da distracção da comunidade internacional”, indicam os diplomatas, acrescentando que a Administração norte-americana virou as costas à Bósnia, ao passo que a União Europeia não desenvolveu uma estratégia coerente para o país.
Richard Holbrooke e Paddy Ashdown sublinham ainda que a desintegração poderá ser evitada se a UE tomar consciência dos riscos e se a nova Administração americana se envolver activamente na tarefa de preservar o Estado bósnio, através de uma efectiva presença de tropas e arranjando maneira de “desatar o nó” constitucional que se formou no país. “A União Europeia enfraqueceu a sua influência no país”, reforçaram os diplomatas.

