Oito dos extremistas islamistas que lançaram os ataques de quarta-feira contra Bombaim estavam infiltrados na cidade há cerca de um mês, indicaram hoje à AFP fontes dos serviços secretos indianos.
Os militantes islamistas, que se faziam passar por estudantes, levaram a cabo “missões de reconhecimento antes dos ataques”, indicaram as mesmas fontes.
“Esses oito homens arrendaram uma casa e faziam-se passar por estudantes malaios”, indicou uma fonte dos serviços secretos à France Presse, sob anonimato, acrescentando que eles teriam a responsabilidade de armazenar armas e munições num dos dois hotéis de luxo alvejados pelos atacantes.
A esta primeira equipa de oito homens juntou-se um segundo grupo de homens que chegou a Bombaim por mar, de acordo com as mesmas fontes, que acrescentaram que “todos os guerrilheiros estavam em excelente forma física, com idades entre os 24 e os 30 anos, e perfeitamente treinados para o combate militar”
“Para se alimentarem, tinham grandes reservas de frutos secos e de amêndoas”, o que ajuda a explicar os combates que travaram durante cerca de 60 horas com os comandos indianos.
As mesmas fontes recusaram confirmar se os militantes islamistas eram paquistaneses ou se teriam sido treinados no Paquistão, indicando que essas informações seriam de carácter “politicamente sensível”.
Os ataques foram reivindicados por um grupo autoproclamado de Mujahedeen do Decão. Contudo, vários meios de comunicação social acreditam que a acção foi conduzida pelo Lashkar-e-Taiba, grupo extremista sediado no Paquistão e que nos últimos anos foi responsável por vários atentados na Índia. A sua principal motivação é o fim da presença indiana em Caxemira, região dos Himalaias disputada pelos dois países vizinhos.
O grupo por detrás dos ataques coordenados de Bombaim, na quarta-feira à noite, que fizeram pelo menos 195 mortos, tem base fora do país, declarou na quinta-feira o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh, citado pela agência noticiosa indiana PTI, sem se referir, porém, ao Paquistão.
Por seu lado, o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Pranab Mukherjee, afirmou que “elementos” no Paquistão seriam responsáveis pelos ataques.
Islamabad reagiu prontamente a estas acusações afirmando não estar implicada de nenhuma maneira nos atentados de quarta-feira.
Os ataques de quarta-feira foram os piores em Bombaim desde Julho de 2006, quando 190 pessoas morreram e outras 700 ficaram feridas em vários atentados naquela que é considerada a capital financeira da Índia.
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