O Lashkar-e-Taiba, o grupo islamista paquistanês acusado pela Índia de ter perpetrado os ataques de Bombaim, avisou hoje que irá continuar a sua luta armada contra a presença indiana na região de Caxemira e voltou a negar qualquer envolvimento nos ataques à capital financeira indiana.
“O nosso combate pela liberdade de Caxemira vai continuar. É o nosso único programa”, declarou o porta-voz do Lashkar-e-Taiba (LeT), Abdullah Ghaznavi, numa entrevista telefónica à AFP a partir de Srinagar, a capital de Verão da Caxemira indiana.
“Queremos assegurar à comunidade internacional que não estamos implicados de nenhuma maneira nos ataques de Bombaim. Condenamos semelhantes atentados”, disse a mesmo fonte, pedindo às Nações Unidas “um inquérito imparcial às provas que a Índia diz ter em sua posse” sobre o alegado envolvimento do grupo nos ataques.
“O Lashkar não tem nenhuma relação com a al-Qaeda e com os taliban. O nosso grupo está activo em Caxemira para acabar com a ocupação ilegal pela Índia de Caxemira”, continuou Ghaznavi, acusando Nova Deli de relacionar “a luta pela liberdade de Caxemira com o terrorismo, com o objectivo de legitimar a ocupação” da terra.
Nova Deli, Washington e Londres responsabilizam pela recente carnificina ocorrida em Bombaim o grupo LeT, um dos movimentos armados fundamentalistas paquistaneses que lutam contra aquilo que chamam de “ocupação” indiana da Caxemira e contra as “perseguições” de que dizem ser vítimas cerca de 150 milhões de muçulmanos na Índia.
A Índia já qualificou no passado o Paquistão de ser o “epicentro do terrorismo” islamista, afirmando que o comando de Bombaim veio de território paquistanês e exigindo do seu vizinho que lhe entregue cerca de 40 alegados “terroristas”.
Islamabad procedeu na semana passada a uma série de detenções de militantes próximos do LeT. Foi também sob pressão internacional que Islamabad resolveu fechar a fundação de caridade Jamaat-ud-Dawa, considerada uma “fachada” para o LeT, que está proibido oficialmente desde 2002.



