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País nacionalizou recentemente sector do gás

Bolívia quer aderir à OPEP

12.05.2006 - 22:54 Por AFP

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A nacionalização do gás boliviano dominou a cimeira UE-América Latina A nacionalização do gás boliviano dominou a cimeira UE-América Latina (Klaus Techt/EPA)
A Bolívia, um país rico em gás natural, anunciou hoje a sua intenção de se tornar membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), anunciou o seu Presidente, Evo Morales.

“Gostaria que o meu país se tornasse membro dos países exportadores de petróleo e hidrocarbonetos”, afirmou Morales, numa conferência de imprensa no final da cimeira entre a União Europeia e os países da América Latina.

O chefe de Estado admitiu que se trata “de um desejo”, sem possibilidades de concretização imediata. “Estamos ainda na etapa de recuperação dos nossos recursos energéticos”, afirmou Morales, que há duas semanas ordenou a nacionalização do sector do gás natural.

“Como poderíamos entrar na OPEP se não controlássemos os nossos recursos naturais?”, questionou.

Para já, o poderoso cartel assinou um acordo com a Bolívia, prevendo a concessão de dez milhões de dólares a um prazo de 20 anos, com taxas de juro reduzidas, a fim de financiar a melhoria do ensino superior no país.

A Bolívia, que produz pouco mais de 40 mil barris de petróleo por dia, detém as segundas maiores reservas de gás natural da América Latina, logo atrás da Venezuela, o único país da região pertencente à OPEP.

A exploração das reservas estava concessionada a petrolíferas internacionais, mas no início deste mês Morales ordenou a nacionalização do sector, afirmando que pretendia recuperar o controlo das suas reservas energéticas. As empresas estrangeiras – entre elas a brasileira Petrobrás e a espanhola Repsol – ficaram obrigadas a entregar a sua produção à companhia nacional e têm um prazo de seis meses para negociar novos contratos.

A nacionalização do sector do gás na Bolívia acabou por dominar a cimeira UE-América Latina, em especial depois de Morales ter garantido que as petrolíferas estrangeiras não serão compensadas pelas perdas e de ter acusado a Petrobrás de estar a explorar “ilegalmente” gás na Bolívia.

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