Os dois bispos de Timor-Leste pediram hoje a demissão do primeiro-ministro do país, Mari Alkatiri, no seguimento das manifestações organizadas pela Igreja contra a decisão de tornar facultativo o ensino religioso nas escolas.
Numa carta enviada ao presidente do Parlamento, Francisco Guterres, D. Alberto Ricardo da Silva e D. Basílio do Nascimento pedem que seja nomeado um novo chefe de Governo devido “à situação social, económica e política” que atravessa Timor.
“Os cidadãos deste país não se identificam com o modelo de sociedade que este Governo quer impor”, sublinham os prelados, na nota avançada pela Lusa.
De acordo com os bispos, “o sentimento profundo do povo anónimo que se expressou espontaneamente em massa (…) conduziu à exigência feita à FRETILIN, [partido] em maioria no Parlamento, de afastar imediatamente o primeiro-ministro actual e o seu Governo”.
O ministro da Saúde, Rui Araújo, considerou que à "atitude dos representantes da Igreja católica falta seriedade", manifestando porém que o Executivo está pronto a abrir "um verdadeiro diálogo construtivo” com os representantes eclesiásticos.
Esta possibilidade foi no entanto rejeitada pelos bispos.
"A população não confia no Governo”, afirmou o padre Apolinário Guterres, assistente do bispo de Dili, frisando que a Igreja timorense está apenas disposta a “discutir com o Parlamento e com a FRETILIN”.
Milhares de pessoas manifestaram-se nos últimos dias em Díli contra a decisão do Governo de tornar o ensino religioso facultativo nas escolas de Timor-Leste, onde 96 por cento dos 800 mil habitantes são católicos.
O Presidente da República, Xanana Gusmão, apelou ao diálogo entre o Governo e a Igreja, para que sejam encontradas respostas às “preocupações dos bispos e da população”.
“É fundamental e necessário que o Estado adopte uma política de desenvolvimento durável”, declarou em conferência de imprensa chefe de Estado timorense.



