Birmânia: Julgamento de Suu Kyi recomeça, apesar dos apelos à sua libertação

10.07.2009 - 09:11 Por PÚBLICO
O julgamento da líder da oposição birmanesa Aung San Suu Kyi recomeçou hoje sob forte aparato de segurança da polícia antimotin junto à prisão de Insein, uma semana depois de os chefes da Junta Militar que governa o país terem recusado os apelos do secretário-geral das Nações Unidos, Ban Ki-moon, para que a “Dama de Rangum” seja libertada.
Vencedora do prémio Nobel da Paz em 1990 – um ano antes de vencer as eleições legislativas birmanesas, mas a cujos resultados os generais nunca deram aval – Suu Kyi pode ser condenada a uma pena de prisão de três a cinco anos, caso seja dada como culpada das acusações.
O regime birmanês está a julgá-la, desde 18 de Maio, ao abrigo da rígida Lei de Protecção do Estado dos Perigos de Elementos Subversivos depois de um cidadão norte-americano ter entrado e permanecido por dois dias na casa em que Suu Kyi estava confinada a prisão domiciliária desde Maio de 2003.
A líder da Liga Nacional para a Democracia passou 14 dos últimos 20 anos sob alguma forma de detenção e a comunidade internacional tem feito enorme pressão para que seja finalmente libertada. Muitos analistas sustentam que a incursão não autorizada do norte-americano à casa de Suu Kyi está a ser instrumentalizada pela Junta Militar para a manter fora de cena nas prometidas eleições multipartidárias de 2010.
O julgamento esteve interrompido nas últimas seis semanas devido ao um apelo da equipa de defesa de Suu Kyi para que fossem permitidas mais testemunhas. Cerca de 100 pessoas, apoiantes da “Dama de Rangum”, reuniam-se frente aos portões da prisão de Insein – onde o processo decorre – sob a atenta vigilância da polícia antimotim.


