O antigo Presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, chegou hoje à Coreia do Norte para uma visita de dois dias, cujo objectivo parece ser a negociação da libertação de duas jornalistas norte-americanas presas pelos norte-coreanos em Março e que poderá incluir um encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-il.
A visita não-anunciada de Bill Clinton prolongar-se-á por dois dias e é a primeira de uma personalidade política norte-americana de grande relevo desde que a então secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright, esteve no país, em 2000.
Clinton deverá tentar negociar a libertação das jornalistas Laura Ling, de 32 anos e Euna Lee, de 36, que foram capturadas pelos norte-coreanos na fronteira com a China e acusadas de ter entrado ilegalmente em território norte-coreano, confirmou uma fonte oficial norte-americana.
As duas jornalistas, que trabalham para um canal de televisão, a Current TV, ligada a Al Gore, o vice-presidente de Bill Clinton, foram condenadas a 12 anos de trabalhos forçados, em Junho.
Mas a viagem está também a ser vista como podendo trazer avanços na negociação do “dossier” nuclear norte-coreano, num impasse desde o segundo ensaio de uma bomba nuclear por Pyongyang, a 25 de Maio. É possível que Clinton venha a avistar-se com Kim Jong-il durante a visita de dois dias, avançam analistas sul-coreanos, citados pela agência AFP. A Reuters diz que a visita de Clinton poderá resultar num regresso de Pyongyang à mesa das negociações, mas não se sabe em que termos.
Uma das jornalistas, Laura Ling, terá admitido, numa conversa telefónica com a irmã, que as jornalistas teriam violado a lei norte-coreana. A agência de notícias oficial norte-coreana KCNA sublinha que as duas confessaram ter entrado ilegalmente no país.
A KCNA descreveu a chegada do antigo Presidente norte-americano, que foi transmitida na televisão norte-coreana, referindo que “uma rapariga ofereceu flores a Bill Clinton”. A mesma agência disse também que entre os dignitários do regime de Pyongyang que receberam Clinton estava Kim Kye-gwan, o principal negociador do dossier do nuclear.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, mulher de Bill Clinton, dissera, a 10 de Julho, estar esperançada em que Pyongyang amnistiasse as duas jornalistas, cuja detenção é vista como permitindo à Coreia do Norte ter uma moeda de troca diplomática.
Em 1994, um outro ex-Presidente, Jimmy Carter, visitou Pyongyang, também numa altura em que existiam fortes tensões relativamente ao programa nuclear norte-coreano.


