Bill Clinton e Joe Biden unem-se em torno de Obama, que apareceu de surpresa na convenção democrata

28.08.2008 - 09:13 Por Agências
Barack Obama foi ontem aclamado como o candidato oficial do Partido Democrata à Casa Branca pela convenção partidária reunida em Denver. O ex-Presidente Bill Clinton e o candidato à vice-presidência, Joe Biden, uniram-se em torno do homem que poderá ser o primeiro rosto negro na presidência da nação e que ontem apareceu de surpresa no palco do Pepsi Center.
O candidato juntou-se ontem a Biden em palco, quando o candidato à vice-presidência terminava o seu discurso, surpreendendo os presentes, cerca de duas horas depois do senador de Illinois ter conquistado oficialmente a nomeação democrata por "aclamação", graças à intervenção directa (e ensaiada, é certo), de Hillary Clinton.
Durante a contagem de votos para determinar a escolha dos democratas - os nomes em cima da mesa eram os de Barack Obama e de Hillary Clinton -, quando chegou a altura de o seu Estado atribuir os votos, a senadora de Nova Iorque tomou a palavra e propôs a suspensão da contagem pedindo a nomeação de Obama por aclamação, encenação que, apesar de esperada, levou o Pepsi Center à loucura.
"Proponho que o senador Barack Obama do Illinois seja escolhido por esta convenção por aclamação como nomeado do Partido Democrata para Presidente dos estados Unidos", foi a frase que colocou um ponto final numa disputa única pela corrida à Casa Branca entre uma muher e um negro.
Coube então a Nancy Pelosi, presidente do Congresso dos Estados Unidos, anunciar a nomeação.
Esta é a primeira vez na história da América que um afro-americano vai representar um grande partido na corrida à presidência.
Já depois das intervenções de Clinton e de Biden, ouviu-se a voz de Jill Biden, a mulher de Joe Biden, que se juntou ao seu marido na tribuna, no final do seu discurso, e anunciou: "Tenho uma surpresa para vocês. Temos um convidado especial esta noite". E nessa altura apareceu Obama, originando um forte aplauso.
Quando a ovação finalmente terminou, Obama prestou homenagem a Joe Biden e à sua própria mulher, Michelle, que pronunciou na segunda-feira o seu primeiro grande discurso em público.
"Acho que Michelle Obama não lançou mal a convenção, o que é que acham?", perguntou Obama. "E, se não me engano, Hillary Clinton dinamitou esta sala ontem à noite", acrescentou, provocando uma nova salva de palmas.
A senadora de Nova Iorque Hillary Clinton conta na sua conta pessoal com um total de 18 milhões de votos conseguidos nas primárias e terá nesse esforço derradeiro de união assumido um papel crucial no seu discurso de anteontem e na cerimónia protocolar, que ontem formalizou a candidatura de Barack Obama.
"E, em caso dúvida, penso que o Presidente Bill Clinton nos lembrou o que é ter um presidente que coloca os interesses das pessoas à frente de tudo o resto", disse ainda Obama, nomeando o casal Clinton, instalado numa das tribunas do Pepsi Center.
Barack Obama está preparado para ser Presidente, diz Bill Clinton
Antes da intervenção de Joe Biden, o antigo Presidente pronunciou um discurso inequívoco de apoio a Barack Obama, longe das reservas manifestadas durante as primárias, disputadas entre Obama e a sua própria mulher.
A verdade é que, precisamente por causa da tensa campanha durante as primárias, nos dois últimos dias a equipa de Obama tinha tentado negociar com o antigo Presidente o teor do seu discurso, temendo a imprevisibilidade do ex-Presidente. Mas, no final, o ataque de nervos da equipa de Barack não teve razão de ser.
"Barack Obama está preparado para ser Presidente dos Estados Unidos", disse Clinton no seu discurso, de forma clara e simples.
"Há 16 anos, os republicanos diziam de mim que era demasiado jovem e inexperiente. Isto soa-vos familiar?", perguntou, recordando que a estratégia não funcionou com ele e também não vai funcionar agora "porque Obama está do lado certo da história".
O ex-Presidente fez igualmente bom uso do humor quando se referiu à derrota de Hillary: "A campanha [de Obama] gerou tanto calor que aumentou o aquecimento global... No final, a minha candidata não ganhou. Mas estou muito orgulhoso da sua campanha e porque não se deu por vencida, em nome de toda a gente que a defendeu e em nome de todas as mudanças a que quis dar impulso".


