O processo por corrupção de testemunha intentado ao chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, por ter comprado o silêncio do seu advogado britânico David Mills, foi hoje marcado para 4 de Dezembro.
Mas os advogados do primeiro-ministro já disseram que ele não poderá comparecer, porque tem um Conselho de Ministros.
Berlusconi é acusado de ter corrompido Mills com 600.000 dólares (403.000 euros), a troco de testemunhos falsos favoráveis às suas transações comerciais, nomeadamente as que envolviam a empresa Fininvest.
Os magistrados que condenaram Mills a quatro anos e meio de prisão neste caso de 1997 disseram ontem que não poderiam agora julgar Berlusconi, por "incompatibilidade" imposta pela lei, pelo que o assunto passou para as juízas Francesca Vitale, Antonella Lai e Caterina Interlani. Mas dada a impossibilidade alegada pelo réu é natural que o julgamento não aconteça a partir de 4 de Dezembro, mas apenas mais tarde.
Já no dia 16 de Janeiro Berlusconi não compareceu a outro julgamento, por fraude fiscal, alegando que tinha uma cimeira da FAO, e o mesmo foi transferido para 18 de Janeiro.
A 7 de Outubro o Tribunal Constitucional acabou com a imunidade do Presidente do Conselho, mas entretanto ele está a alegar ter uma agenda muito pesada para adiar enquanto lhe for possível a sua comparência em tribunal.
“Il Cavaliere”, de 73 anos, dono de um império na esfera da comunicação social, tem vindo a dizer que não se demitirá mesmo que seja condenado num dos previstos julgamentos. E alega existir uma série de magistrados “comunistas” apostados em acabar com a sua carreira política.



