Silvio Berlusconi diz-se vítima de múltiplos ataques, "agressões" de adversários políticos e de juízes que o primeiro-ministro italiano não tem problemas em comparar ao ataque físico de que foi vítima há um mês, em Milão.
Mas agredidos é como se sentem os opositores com os seus projectos de reforma da justiça para evitar o regresso ao banco dos réus. Ontem, o seu irmão Paolo viu confirmada uma condenação a quatro meses de prisão por falsificação de facturas.
"Sou atacado no plano político e no plano judicial, como podem ver, as agressões são comparáveis à da praça da catedral [de Milão], talvez piores", disse Berlusconi, no fim do primeiro Conselho de Ministros a que presidiu depois da agressão.
Berlusconi esteve um mês ausente da política, mas mal regressou, levou aos deputados os seus projectos de lei para reformar a justiça. A primeira norma, baptizada pelos juízes como "lei mata-processos", visa encurtar os prazos que as várias instâncias têm para tratar de cada processo. Se o prazo se esgotar, o julgamento morre.
É o risco que correm milhares de processos, incluindo os que se reabriram para Berlusconi em Outubro, quando o Tribunal Constitucional fez cair a Lei Alfano, que lhe dava imunidade judicial a si e aos outros três principais cargos do Estado.
Terça-feira morreu qualquer parca hipótese de diálogo entre o Governo e a oposição de centro-esquerda, escreveram ontem os jornais. A oposição no Senado à "lei mata-processos", que a maioria de direita decidira aprovar com carácter de urgência e sem discussão. O caos foi tanto que o presidente do Senado, Renato Schifani, se viu obrigado a interromper a sessão. Segundo o "Corriere della Sera", o Governo tentou explicar ao Presidente, Giorgio Napolitano, a "urgência", mas este mostrou-se perplexo.
Ontem, o tribunal de recurso de Milão confirmou uma condenação de 2008 contra Paolo, o irmão de Berlusconi proprietário do diário da família, "Il Giornale". Paolo não cumprira quatro meses de prisão graças a uma lei de 2006 que prevê um perdão de pena de três anos para todos os delitos cometidos antes de Maio desse ano.


