O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, avisou membros do parlamento para as consequências de votarem a favor de uma moção de não confiança no Parlamento, que poderia provocar eleições antecipadas.
Falando um dia antes de duas votações de não confiança, uma na câmara baixa do Parlamento e outra no Senado, Berlusconi invocou consequências económicas para um cenário de instabilidade ou eleições antecipadas e apelou a “um pacto com centristas e todas as forças moderadas” , num discurso no Senado. Até agora a Itália foi mantida fora da crise que afecta alguns países da zona euro, alegou o primeiro-ministro, mas a ameaça de instabilidade existe: “É uma loucura iniciar uma crise sem soluções à vista”, afirmou.
Em relação à moção no Senado, a coligação do primeiro-ministro tem maioria, mas no Parlamento o resultado é ainda uma incógnita: alguns comentadores, diz a Reuters, acham que é possível um resultado tão dividido como 314 votos para Berlusconi e 313 para a oposição.
Berlusconi já não tem a maioria na câmara baixa do Parlamento depois da cisão com o antigo aliado Gianfranco Fini e outros pequenos partidos. Mas o primeiro-ministro está a tentar obter pactos com outras forças, a que ele chamou as “pombas” dentro do campo dos “rebeldes”.
O voto de amanhã resume-se, segundo Berlusconi, a pedir uma crise ou não. A dívida pública da Itália, de quase 120 por cento do PIB, coloca o país em especial risco e os mercados reagirão a um longo período de incerteza ou eleições.
Na imprensa especula-se sobre se este poderá ser o fim da era Berlusconi, ultimamente marcado por uma série de escândalos. Mas o primeiro-ministro de 74 anos mostrou-se confiante de que vai sobreviver a mais esta prova.
Lúcio Caracciolo, director da revista italiana de geopolítica "Limes", declarou, a uma entrevista ao PÚBLICO, não estar tão certo sobre o final desta era. “Além disso”, continuou, “não vejo nenhuma alternativa estruturada a Berlusconi, sobretudo porque o nosso sistema político permanece numa permanente instabilidade”.
Os partidos mais pequenos que integravam a aliança e estão agora a desafiar Berlusconi fazem-no mais por “razões pessoais” do que por “razões políticas”, diz Caracciolo.



