O Papa Bento XVI tentou ontem, em Luanda, revitalizar a fé de milhares de jovens católicos num país onde as igrejas evangélicas disputam a influência da Igreja Católica.
Mais de 30 mil jovens que se concentraram durante horas no Estádio dos Coqueiros, na capital angolana, dispensaram a chefe da Igreja romana um acolhimento efusivo entoando refrões como “Católico, católico” ou “Papa, amigo”.
Bento XVI, 81 anos, sorridente apesar da fadiga aparente, deu voltas no veículo especial em que se desloca, e sob um calor pesado a volta ao recinto antes de tomar o seu lugar, entre os “vivas” da multidão, na tribuna preparada para a cerimónia.
Mais de metade dos 17 milhões de angolanos com menos de 18 anos sofreram de uma maneira ou de outra a guerra civil, que assolou o país durante 27 anos (1975-2002).
“Vejo presentes aqui – mas há milhares de outros – jovens angolanos mutilados por causa da guerra e das minas”, disse o Papa. “Penso nas torrentes de lágrimas que tantos de vocês choraram pela perda de membros das vossas famílias, e não é difícil imaginar as nuvens sombrias que cobrem ainda o céu dos vossos sonhos mais belos”, continuou.
Mas, assegurou Bento XVI, “Jesus diz-nos claramente uma coisa: a renovação começa em nós. Recebam-na do Alto. A força dinâmica do futuro encontra-se em vós”.
De acordo com as estatísticas, 55 por cento da população do país é católica e 25 tem crenças tradicionais. Mas numerosos angolanos estão a voltar-se para as igrejas evangélicas e pentecostais.
Ontem de manhã, durante uma missa na Igreja de São Paulo, o Papa sublinhou que a evangelização continua a ser uma exigência da Igreja, como durante os primeiros passos do catolicismo em Angola, há 500 anos.
“Hoje voltamos a apresentar Cristo ressuscitado aos nossos concidadãos. São tantos os que vivem no medo dos espíritos, dos poderes nefastos por que se sentem ameaçados”, disse Bento XVI.
Algumas seitas angolanas são acusadas de praticar sacrifícios humanos e de se apoderarem de crianças para isso. Em 2008, em Luanda, 40 jovens foram encontrados, prisioneiros, em lugares de crenças tradicionais, onde tinham sofrido sevícias.
Na véspera, perante o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, o Papa lançara um vibrante apelo à luta contra a pobreza, que continua a afectar dois terços da população do país, e a “erradicar de uma vez por todas a corrupção”.
O Papa faz a sua primeira viagem a África, que iniciou nos Camarões, onde desencadeou uma polémica mundial sobre o preservativo, que, segundo ele, "agrava" o problema da sida.



