A antiga primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto participou hoje, após ter estado confinada ao seu domicílio durante o dia de ontem, numa manifestação organizada por jornalistas contra a instauração do estado de emergência, há oito dias, avança a AFP.
"Vim aqui para vos dar testemunho da minha solidariedade. Reprovo as restrições" impostas aos media após a entrada em vigor das medidas de excepção, afirmou a dirigente, falando aos cerca de 200 jornalistas concentrados no centro de Islamabad.
Bhutto prometeu continuar "a guerra contra a ditadura" e a favor da liberdade de expressão no país, voltando a apelar à participação numa "longa marcha" entre as cidades de Lahore e Islamabad, na próxima terça-feira, para exigir o fim do estado de emergência e a realização das legislativas na data prevista.
Benazir Bhutto esteve ontem impedida de sair da sua residência, quando se preparava para liderar uma grande manifestação convocada pelo seu Partido do Povo Paquistanês (PPP), nos arredores de Islamabad, que não se realizou devido ao estado de emergência instaurado por Pervez Musharraf, que proíbe manifestações públicas.
A polícia invocou "ameaças muito sérias" à segurança de Benazir Bhutto e dos seus partidários para justificar ter-lhe imposto o regime de residência vigiada.
Segundo as autoridades, estariam em Islamabad oito bombistas suicidas de movimentos islamistas ligados à Al-Qaeda para atentar contra a antiga primeira-ministra e dirigentes do seu partido, segundo os serviços secretos paquistaneses.
Há três semanas, o atentado suicida mais mortífero da história do Paquistão visava Benazir Bhutto durante uma manifestação dos seus partidários em Karachi, causando 139 mortos.
Bhutto regressara nesse dia ao Paquistão, após oito anos de exílio voluntário para escapar a acusações de desvios de fundos públicos quando esteve no poder (1988-1990 e 1993-1996).
A antiga chefe do governo tinha convovado na quarta-feira uma grande manifestação pública para protestar contra o estado de emergência, apesar de estar a negociar desde há vários meses um acordo de divisão do poder com o general Musharraf.



