Belgrado insta forças internacionais a não usarem a força contra sérvios do Kosovo

17.03.2008 - 15:39 Por Agências
O Presidente sérvio, Boris Tadic, instou hoje a polícia da ONU e os militares da NATO estacionados no Kosovo a não utilizarem a força contra a população sérvia do território, alertando para o risco de fomentar o separatismo na comunidade.
Centenas de sérvios kosovares e “capacetes azuis” das Nações Unidas, na sua maioria de nacionalidade polaca, envolveram-se esta manhã em confrontos em Mitrovica, cidade divida entre as duas comunidades do território.
Os incidentes começaram depois de centenas de polícias terem entrado num tribunal da ONU que tinha sido ocupado sexta-feira por manifestantes sérvios, detendo 53 pessoas. Quando os detidos eram retirados do local, os agentes da ONU terão sido atacados por manifestantes que se concentravam no exterior do edifício.
Os confrontos – os mais graves desde a declaração de independência por parte da maioria albanesa, há um mês – provocaram mais de uma centena de feridos, entre eles 33 membros das forças internacionais, e só terminou quando os soldados da NATO (Kfor) assumiram o controlo da cidade, de onde foram retirados os polícias da ONU.
A Kfor sustenta que os seus militares chegaram a ser visados por disparos de armas automáticas e explosivos artesanais, tendo ripostado "com gás lacrimogéneo e tiros para o ar”, a fim de dispersar os manifestantes.
No entanto, o Governo Sérvio acusa as forças internacionais de “uso excessivo da força” na resposta aos manifestantes.
Num comunicado emitido ao início da tarde, o Presidente Boris Tadic “apela à Minuk [a missão da ONU no Kosovo] e à Kfor para não utilizarem a força contra a minoria sérvia”, alertando para o risco “de uma escalada na contestação”, tanto mais que os incidentes de hoje ocorrem no quarto aniversário dos mais graves incidentes desde o final da guerra. A 17 de Março de 2004, milhares de albaneses entraram na parte sérvia de Mitrovica, incendiaram casas e mataram 19 pessoas, em retaliação pelo afogamento de três crianças no rio que divide a cidade, depois de rumores de que elas teriam ser perseguidas por sérvios.
Os receios de Tadic, um dirigente pró-europeu, foram manifestados de forma mais radical pelo bispo Amfilohije, actual líder da igreja ortodoxa sérvia. “O nosso povo continua de luto em Mitrovica, as autoridades continuam a matar o nosso povo”, afirmou.
Também o líder do Conselho Nacional Sérvio do Kosovo, entidade que agrupa os representantes dos vários enclaves, voltou a pedir a Belgrado para “auxiliar os sérvios, lutando por um Kosovo sérvio”. O responsável admitiu que, se incidentes como os de hoje se voltarem a repetir, a comunidade “pode atingir um ponto de não regresso”, numa clara alusão a uma luta pela separação das zonas de maioria sérvia dentro do Kosovo.


