O primeiro-ministro belga Yves Leterme apresentou ontem à noite a demissão do seu governo ao rei Alberto II, depois do falhanço da sua tentativa de chegar a um acordo para uma reforma das instituições belgas. O rei ainda não aceitou oficialmente a demissão de Leterme.
"O rei recebeu o senhor Yves Leterme em audiência no castelo de Belvédère. O primeiro-ministro apresentou ao rei a sua demissão do governo. O rei tem a sua decisão em suspenso”, indica um comunicado lacónico do soberano publicado durante a noite.
Isso poderá significar que o rei Alberto II poderá ainda esperar convencer o actual chefe de Estado do governo democrata-cristão a permanecer no seu posto.
Yves Leterme falhou a tentativa de levar a cabo medidas que tinham como objectivo dar mais poderes às diferentes regiões belgas.
Leterme tornou-se primeiro-ministro em Março último, depois de nove meses de bloqueio político entre os diferentes partidos do país, dividido entre a comunidade francófona e flamenga.
O primeiro-ministro tinha estabelecido a data de 15 de Julho como limite para um entendimento entre as duas partes sobre a reforma do Estado e deveria apresentar hoje os planos acordados ao Parlamento. Mas ontem à noite, Leterme apresentou a sua demissão ao monarca, arrastando a Bélgica para nova crise política.
Os analistas consideram que a demissão do primeiro-ministro ficou a dever-se à falta de entendimento entre os democratas-cristãos flamengos de Leterme e a parte francófona, que entraram em desacordo em alguns pontos da reforma constitucional.


