Segundo dia de reflexão antes das eleições presidenciais no Afeganistão, segundo dia de violência na capital afegã, Cabul, habitualmente uma das zonas mais seguras do país. Homens armados atacaram o edifício de um banco, envolvendo-se em combates com militares que se prolongaram por quatro horas. Pelo menos três atacantes e três soldados morreram.
Os taliban, que ameaçam atacar amanhã os centros de voto, reivindicaram este ataque. “Matámos três atacantes no banco. Eram taliban”, confirmou à AFP Sayed Abdul Sayedzada, chefe da polícia criminal de Cabul.
Um porta-voz taliban ouvido pela agência Reuters afirmou que o raide tinha sido levado a cabo por cinco combatentes, alguns usando coletes de explosivos.
Num comunicado colocado na Internet, os “estudantes de teologia” garantem ainda ter enviado 20 bombistas suicidas para se infiltrarem na capital. Terça-feira, nove afegãos, incluindo dois funcionários da ONU, e um soldado da NATO morreram num atentado suicida em Cabul.
No Sul, a explosão de uma bomba artesanal matou dois funcionários da Comissão Eleitoral, aumentando ainda mais ainda o receio de ataques que pode impedir muitos afegãos de saírem de casa para votar. A explosão aconteceu em Shoraback, na província de Kandahar, berço e bastião dos taliban.
Os dois homens dirigiam-se de carro para um centro de voto, numa altura em que as autoridades ultimam os preparativos, disse aos jornalistas o responsável eleitoral para o Sul, Abdul Wasir Alokozai.
Na província de Nangarhar, no Leste, outra bomba artesanal explodiu à passagem de um veículo que transportava material eleitoral, mas o motorista ficou apenas ligeiramente ferido. E em Kunduz, no Norte, uma bomba foi desarmadilhada junto a um centro de voto.
O Governo continua entretanto a apelar a um blackout sobre a violência para impedir que os media tenham “um impacto negativo”, apelo já condenado pelos jornalistas afegãos e por organizações de direitos humanos.
“Se alguma coisa acontecer, isto vai impedi-los de exagerarem, assim as pessoas não ficarão assustadas e vão votar”, explicou à emissora britânica BBC Siamak Herawi, porta-voz do Presidente Hamid Karzai, favorito para a reeleição. “Condenamos estas medidas para impedir as pessoas de acederem às notícias”, disse à Reuters Rahimullah Samander, chefe da Associação Afegã de Jornalistas Independentes.
A Human Rights Watch considerou que “uma tentativa para censurar as notícias de violência é uma violação inaceitável da liberdade de imprensa”.


