Barroso afirma ser necessário tratar as causas da pirataria somali

23.04.2009 - 10:23 Por Jorge Heitor
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, declarou hoje em Bruxelas que nada se conseguirá "se apenas se tratarem os sintomas" da grande crise somali, a pirataria no mar, mas não as suas causas, que são "a decadência do Estado e a pobreza".
Numa conferência internacional de doadores para se tentar a estabilizar aquele país do Corno de África, Durão Barroso insistiu em que a pirataria "é o sintoma e não a causa de um problema muito mais profundo que existe na Somália".
"Os desafios à segurança têm as suas raízes em problemas de desenvolvimento e na fraqueza da governação", declarou o presidente da Comissão, depois de haver estar reunido com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, no âmbito desta conferência de um dia destinada a reforçar as forças somalis de segurança e a apoiar a missão africana de pacificação.
Ban pediu aos doadores internacionais mais de 250 milhões de dólares (191,5 milhões de euros) para ajudar o novo Governo da Somália a aumentar a segurança e a deter os grupos que desviam navios ao largo do país.
"O Presidente Barroso e eu concordámos em que restaurar a segurança e a estabilidade é vital para o êxito da reconciliação e a sobrevivência do Governo de unidade. Mas ainda há muito a fazer", declarou o secretário-geral da ONU.
Ban esclareceu que não tenciona enviar nos próximos tempos para a Somália qualquer força das Nações Unidas, pois entende que isso só será possível quando "existirem circunstâncias e condições apropriadas".
Nesta reunião, presidida pela ONU e pela União Africana, participam o Presidente da Somália, Sharif Sheik Ahmed, e delegados de três dezenas de países.
Se bem que formalmente a conferência não se centre na pirataria, a verdade é que ela deverá dominar os debates, tendo em conta que só no ano passado mais de 130 navios mercantes foram atacados ao largo do Corno de África e que este ano a tendência continua.
As autoridades marítimas internacionais entendem que seriam necessárias centenas de vasos de guerra para patrulhar de forma efectiva um milhão de quilómetros quadrados de águas e que a única forma efectiva de resolver o problema seria por meio de uma operação terrestre, que assegurasse o controlo dos portos de onde partem os piratas.

