O aspirante a candidato democrata às presidenciais norte-americanas, o senador Barack Obama, sugeriu que o Presidente George W. Bush boicote a cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim.
"Tal como já comuniquei em público ao Presidente, já é tempo de a China respeitar os direitos humanos do povo tibetano, permitir o acesso de jornalistas estrangeiros e diplomatas à região, e envolver o Dalai Lama em conversações sérias sobre o futuro do Tibete", disse Obama num comunicado divulgado ontem, ao final do dia, a partir da Pensilvânia, onde realiza a sua campanha.
"Se os chineses não tomarem medidas para deter o genocídio no Darfur e para respeitar a dignidade, a segurança e os direitos humanos do povo tibetano, então o Presidente deveria boicotar a cerimónia de inauguração", disse Obama.
Pouco antes da divulgação deste comunicado, Obama tinha indicado numa conversa com jornalistas em Levittown (Pensilvânia), que os Estados Unidos não têm tido uma política suficientemente "coerente" nem "enérgica" face à China no que toca à resolução do problema do Tibete de maneira adequada. "E no que toca ao Sudão, um país envolvido no genocídio contra o povo de Darfur, também não", acrescentou o senador.
A rival de Obama na candidatura democrata, Hillary Clinton, também tinha planeado a possibilidade de Bush boicotar os Jogos, mas não sugeriu um momento adequado para essa decisão.
Bush tem planeado assistir às cerimónias de abertura dos Jogos e até agora resistiu às pressões para mudar os seus planos.
Na Europa, ficou ontem a saber-se que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, não vai estar presente em Pequim, tendo sublinhado não se tratar de um boicote a Pequim mas antes uma coisa previamente decidida. Brown assegurou que vai assistir à cerimónia de encerramento dos Jogos para a cerimónia de passagem de testemunho, uma vez que Londres vai organizar os Jogos de 2012.
Hoje mesmo, o Parlamento Europeu vai votar uma resolução que pede aos líderes da União Europeia que se comprometam a uma acção conjunta sobre a cerimónia dos Jogos de Pequim se as autoridades chinesas não derem sinais de diálogo para a solução do conflito no Tibete.



