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Discurso de investidura

Barack Obama: “América, não podemos voltar para trás”

29.08.2008 - 08:51 Por Rita Siza, em Denver

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Sei bem que sou um candidato improvável, disse Obama Sei bem que sou um candidato improvável, disse Obama (Rick Wilking/Reuters)
Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, um homem negro pode ser eleito Presidente, mas quando o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, ontem gritou bem alto que “a América não pode voltar para trás” não falou em raça mas sim “nas crianças que é preciso educar, os veteranos que devem ser tratados; a economia que há que concertar, as cidades que reconstruir e as quintas que salvar; as famílias que têm ser protegidas e as vidas que podem ser remendadas”.

O senador do Illinois aceitou a nomeação presidencial do seu partido no mesmo dia em que se comemorava o 45º aniversário da marcha pelos direitos cívicos sobre Washington, que Martin Luther King encabeçou e culminou num dos discursos mais célebres da história americana. Obama recuperou as palavras do reverendo, mas não para dizer que tinha um sonho. “Não podemos marchar sozinhos. E enquanto marchamos, temos de prometer que o faremos sempre em frente. Não podemos voltar para trás”, repetiu.

Essa foi a mensagem que o candidato democrata deixou à multidão que participou (em delírio) na última noite da Convenção Nacional Democrata, na cidade de Denver: nos momentos decisivos, na encruzilhada da história, só há um caminho, a mudança. E para mudar é preciso ter esperança, sonhar e acreditar. “América, este não é o tempo para fazer pequenos planos”, sublinhou.

Na noite da consagração, Barack Obama deixou para trás, completamente esquecidos, os outros dias da Convenção, gastos com notícias sobre o ressentimento dos Clinton, a desilusão dos seus apoiantes e a divisão do partido. Numa penada, reconheceu as figuras do partido que fizeram a história dos quatro dias de assembleia democrata: nomeou Bill e Hillary, e também Ted Kennedy e o candidato a vice-presidente Joe Biden. Mas podia também ter falado nos senadores John Kerry e Evan Bayh, nos governadores Brian Schweitzer e Mark Warner. Ou em Bill Richardson e Al Gore, que ontem foram agraciados com duas enormes ovações no Invesco Field.

"O resumo perfeito"
Mas o momento pertencia-lhe em absoluto. Barack Obama dominava o Partido Democrata. “Depois desta noite, não fica a mínima dúvida a quem pertenceu esta Convenção”, comentou ao PÚBLICO Herb Hedden, um delegado do Ohio. “De certa maneira, os outros dias foram um crescendo que permitiu chegar a este auge. Tivemos uma sucessão de excelentes discursos que abordaram diferentes aspectos e que em conjunto definiram uma nova narrativa. E depois Obama veio aqui e fez o resumo perfeito”, considerou.

Não foi um discurso brilhante, como aquele com que se apresentou à América na Convenção Democrata de 2004 ou aquele outro com que definiu o curso desta campanha eleitoral, logo no princípio das primárias, no Iowa. Foi um discurso muito bom: agressivo, substantivo e concreto — até ao mínimo detalhe. “Deixem-me explicar exactamente em que a mudança consistirá se eu for eleito Presidente dos Estados Unidos”, disse.

Nos impostos, energia, educação ou saúde, indicou as suas propostas específicas, estabelecendo metas quantitativas (cortes fiscais para 95 por cento das famílias, 150 mil milhões de dólares de investimento em energias renováveis…) e anunciando como pretende pagá-las “até ao último cêntimo”.
Na segurança e política externa, explicou qual a sua linha de rumo: “Nunca hesitar em defender a nação mas só enviar as tropas para o teatro de guerra com uma missão clara e o equipamento que elas necessitam”.

“Vou acabar com a guerra do Iraque responsavelmente e acabar a luta contra a Al-Qaeda e os taliban no Afeganistão. Vou reconstruir o nosso exército para enfrentar os conflitos futuros. Mas também vou renovar a diplomacia directa e dura para evitar que o Irão obtenha armas nucleares e confinar a agressão da Rússia”, prometeu.

John McCain vinte vezes
Exaustivamente, ofereceu razões para o falhanço do Partido Republicano e para a promessa da alternativa democrata. Mais de vinte vezes, nomeou o seu adversário John McCain — uma estratégia de ataque e também de defesa, já que aproveitou cada um dos golpes desferidos pelo rival republicano para os voltar contra ele.

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Comentário + votado

Tristeza...Indignação

O meu único comentário a todos estes comentário anteriores é...TRISTEZA...INDIGNAÇÃO...e perdoem-me ...

Nuno

30.08.2008 10:47

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