Os responsáveis do sector bancário alemão estavam ontem entre aqueles que mais atentamente esperavam os resultados da cimeira europeia.
Em causa estão, segundo os cálculos ontem feitos pela agência Bloomberg, 330,8 mil milhões de euros, um valor que equivale a duas vezes o PIB anual português e que representa a exposição que a banca alemã tem neste momento à Grécia, Espanha e Portugal.
Isto significa que, caso estes países entrassem em risco de falhar o pagamento das suas dívidas, as perdas potenciais para as instituições financeiras alemãs seriam o suficiente para as colocar também em perigo.
E o mesmo acontece com os bancos franceses e britânicos, que contam com uma exposição aos países mediterrânicos da zona euro de 306,8 e 156,3 mil milhões de euros, respectivamente.
Por isso, esta ameaça para os bancos das grandes potências europeias, relacionada com o facto de emprestarem grandes quantidades de dinheiro aos países mais periféricos, é um incentivo grande a que os governos de Berlim, Paris e Londres sintam a necessidade de encontrar um plano para a protecção da Grécia e, possivelmente, de outros países como Portugal.
Como afirmava ontem um analista de um banco de investimento alemão à agência Bloomberg, "o Governo está preocupado com a estabilidade do euro e com os riscos para a União Europeia, mas os seus responsáveis também querem salvar os bancos alemães de novas perdas".


