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O importante é preservar a soberania e os interesses do país

Bagdad tem uma visão diferente de Washington no que toca à futura presença americana no Iraque

04.06.2008 - 10:42 Por AFP

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O futuro acordo, baptizado de Status of Forces Agreement, destina-se a dar as bases legais à presença das tropas americanas em solo iraquiano O futuro acordo, baptizado de Status of Forces Agreement, destina-se a dar as bases legais à presença das tropas americanas em solo iraquiano (Reuters/Stringer (arquivo))
O governo iraquiano tem uma "visão diferente" dos Estados Unidos a propósito do futuro acordo sobre a presença americana no Iraque e entende que o importante é "preservar a soberania e os interesses" do país, avançou hoje fonte oficial iraquiana, citada pela AFP.

Reunido hoje, o conselho de ministros discutiu as negociações em curso entre Bagdad e Washington acerca de um futuro acordo sobre a presença americana no Iraque, indicou o porta-voz do governo, Ali Al-Dabbagh, em comunicado.

As negociações sobre um acordo "de cooperação e amizade a longo termo" começaram em Março e deverão fixar as futuras relações entre os dois países, em particular no que toca à delicada questão da presença militar americana.

Durante o conselho de ministros, o "pirmeiro-ministro Nuri al-Maliki sublinhou que as duas partes ainda não chegaram a uma visão comum, e que a parte iraquiana tem uma visão diferente [...]" do seu aliado americano acerca desse assunto, precisa o comunicado.

O conselho de ministros "reafirmou a sua vontade de proteger a segurança, os bens e os recursos do Iraque [...], e considera todas as alternativas possíveis para preservar a soberania e os interesses do Iraque", acrescenta o texto.

O futuro acordo, baptizado de Status of Forces Agreement (SOFA), destina-se a dar as bases legais à presença das tropas americanas em solo iraquiano para além do dia 31 de Dezembro de 2008, quando a resolução da ONU que regula actualmente a sua presença tiver expirado.

O acordo deverá ser assinado até ao dia 31 de Julho, segundo uma "declaração de princípio" decidida em Novembro de 2007 entre o Presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro Maliki.

De acordo com o ministério iraquiano dos Negócios Estrangeiros, o Iraque enviou delegações à Alemanha, Turquia, Coreia do Sul e Japão para estudar os acordos entre esses países e os Estados Unidos, embora a situação seja "diferente no Iraque, onde as operações do Exército americano ainda se estão a desenrolar", estimou domingo o chefe da diplomacia iraquiana, Hoshyar Zebari.

Diversos actores políticos já se declararam contra esse acordo, que suscita intensas discussões no seio da classe política. O líder radical xiita Moqtada al-Sadr, feroz opositor da presença americana no Iraque e crítico de Maliki, denunciou o princípio e pediu aos iraquianos que se mobilizem e se oponham ao acordo. Por seu lado, de acordo com um dos seus colaboradores, o grande "ayatollah" Ali Sistani, a mais alta autoridade religiosa xiita no país e figura considerada moderada, defendeu que "o governo informe o público antes de assinar qualquer tratado" com os EUA, e defendeu o princípio de um referendo sobre essa questão.

Ainda não foram divulgados até ao momento quaisquer detalhes sobre as negociações em curso nem sobre eventuais pontos do futuro acordo.

Cerca de 155 mil soldados estão actualmente estacionados no Iraque.

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