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Central de Fukushima

Autoridades elevam nível de alerta nuclear para cinco

18.03.2011 - 08:41 Por Helena Geraldes

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Camiões aguardavam ontem indicações no parque de estacionamento da central de Fukushima Camiões aguardavam ontem indicações no parque de estacionamento da central de Fukushima (Foto: NHK/Reuters)
O Japão aumentou de quatro para cinco o nível de alerta nuclear, numa escala internacional de sete níveis para acidentes atómicos, na central de Fukushima. A crise foi causada por um sismo e tsunami que já fizeram 6911 mortos.

A informação, que está a ser divulgada pela Agência Japonesa de Segurança Nuclear, coloca a crise nuclear em Fukushima a dois níveis de distância da catástrofe de Tchernobil, em 1986, e ao mesmo nível do acidente de Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979.

O nível cinco significa que a situação em Fukushima é um "acidente com amplas consequências", segundo a Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES, International Nuclear and Radiological Event Scale). Segundo esta escala, os eventos classificados de 1 a 3 são chamados "incidentes"; de 4 a 7 são chamados "acidentes". A classificação foi concebida para que a "gravidade de um evento seja cerca de dez vezes maior de nível para nível", explica a Agência Internacional de Energia Atómica. Segundo a escala, o nível 5 significa, para as pessoas e o Ambiente, "uma fuga limitada de material radioactivo que poderá exigir a implementação de medidas" e ainda "várias mortes por radiação". A nível de infra-estruturas, significa "danos graves do núcleo dos reactores", "libertação de grandes quantidades de material radioactivo numa instalação" que poderá ter sido causada por um acidente ou incêndio.

Hoje, o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Yukiya Amano, confirmou que em Fukushima se vive uma corrida contra o tempo para tentar arrefecer os reactores da central, danificada pelo sismo e tsunami. "O arrefecimento é extremamente importante. Também eu acredito que esta é uma corrida contra o tempo", declarou em Tóquio, depois de um encontro com o primeiro-ministro nipónico, Naoto Kan, segundo a AFP.

"O acidente na central é muito grave. Por isso, é importante que a comunidade internacional, incluindo a agência internacional de energia atómica, participe nos esforços para aumentar a segurança", acrescentou.

Autoridades reforçam operações na central de Fukushima 1

Depois de ontem ter começado uma acção inédita na central, com o uso de helicópteros e canhões de água, hoje as autoridades mantêm o método e enviaram para o local mais reforços.

Pelo menos sete camiões-cisterna, equipados com canhões de água, estão a lançar dezenas de toneladas de água para tentar impedir que as barras de combustível nuclear usadas, na piscina do reactor 3, entrem em fusão e evitar um acidente nuclear maior, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo. No reactor 3, cuja estrutura externa foi destruída por uma explosão, a piscina está danificada.

Os esforços visam ainda arrefecer os reactores 1, 2 e 4, bem como a piscina deste último reactor.

"Com estas operações de bombeamento de água, estamos a combater um fogo que não conseguimos ver", comentou Hideohiko Nishiyama, sub-director geral da Agência japonesa de Segurança Nuclear, citado pela Reuters. "O fogo não está a alastrar mas não podemos dizer que está controlado".

O Departamento de Combate a Incêndios de Tóquio deverá juntar-se às operações na central, com 30 camiões, capazes de disparar grandes quantidades de água a grandes altitudes, e 140 bombeiros da sua equipa de resgate, adiantou ainda a Kyodo. Hoje os helicópteros deverão ficar em terra.

Ao início do dia, os funcionários de Fukushima dedicaram-se ao restabelecimento da electricidade, para tentar pôr a funcionar os sistemas de arrefecimento da própria central. As piscinas perderam os seus sistemas de arrefecimento depois do sismo de magnitude 9,0, de 11 de Março, seguido por um tsunami. Também deixou de ser possível monitorizar o nível da água e as temperaturas nas piscinas dos edifícios dos reactores 1 e 4.

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