Responsáveis do Ministério da Saúde haitiano garantiram esta manhã que a epidemia de cólera que eclodiu no centro do país, com um balanço de já mais de 250 vítimas mortais, está agora a “estabilizar” e com um registo de novos casos de mortos em “desaceleração”, apesar de ter chegado à capital.
Os cinco novos doentes detectados e diagnosticados em Port-au-Prince, no sábado, são oriundos da região de Artibonite – a principal zona do surto – onde ficaram infectados antes de se deslocarem para a capital, foi confirmado pelo gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Todos se encontram em isolamento para prevenir contágios.
A ONU alerta, porém, que o surto pode alastra apesar da confiança demonstrada pelas autoridades haitianas em conseguir conter o surto na capital. “Temos que nos preparara para uma epidemia de proporções muito sérias, mesmo se temos a esperança de que tal não aconteça”, afirmou o chefe do OCHA no Haiti, Nigel Fisher, citado pela agência noticiosa britânica Reuters.
Desde a detecção dos primeiros casos, há cerca de duas semanas, morreram 253 pessoas e mais de 3000 casos de contágio foram confirmados – praticamente todos no coração agrícola haitiano, as regiões centrais de Artibonite e Planalto Central. Mas a epidemia constitui um risco de elevada gravidade para 1,3 milhões de pessoas, sobreviventes do devastador terramoto de 12 de Janeiro, que vivem em campos improvisados em redor de Port-au-Prince, em precárias condições sanitárias.
Ainda ontem, o director-geral do gabinete nacional de Saúde do Haiti, Gabriel Thimote, notou que o número de mortos tinha subido ao longo do fim-de-semana, mas sublinhou que tal se registou a um ritmo mais lento do que nas 24 horas anteriores nas zonas mais afectadas – a mesma tendência foi observada no número de hospitalizações.
“Podemos dizer que está a estabilizar, mas não que chegámos ao pico [da epidemia]”, afirmou, expressando ainda optimismo sobre a contenção dos contágios. “Não é difícil conseguir evitar a propagação para Port-au-Prince.”



