Dezenas de uigures desapareceram desde que foram presos na vaga de motins de Julho na região chinesa de Xinjiang, diz a Human Rights Watch. Segundo a organização de defesa de direitos humanos, 43 homens e adolescentes foram levados em operações da polícia e desde então desapareceram sem deixar rasto.
“Os casos que nós documentámos são provavelmente apenas a ponta do icebergue”, afirma Brad Adams, o director da HRW para a Ásia. O grupo pede explicações ao regime chinês.
Pequim recusou responder a quaisquer perguntas sobre os detidos pelas autoridades na sequência da violência que fez quase 200 mortos há mais de três meses. A BBC tentou já obter reacções das autoridades locais, que recusaram igualmente. À agência Reuters um porta-voz regional disse apenas que os números dos homens detidos “mudam constantemente”.
Num relatório sobre os desaparecidos, a Human Rights Watch descreve como a polícia realizou buscas em duas zonas habitadas pelos uigures logo depois dos motins. “De acordo com testemunhas, as forças de segurança selaram bairros inteiros em busca dos jovens uigures.” Segundo a organização, a maioria dos que foram levados tem cerca de 20 anos, mas os mais jovens terão entre 12 e 14 anos.
Em muitos casos, as famílias não conseguem descobrir o que lhes aconteceu. “Fazer desaparecer pessoas não é o comportamento de países que aspiram à liderança global”, Brad Adams.
Os membros da etnia uigur, muçulmanos e turcófonos, são minoritários na China, mas maioritários na região de Xinjiang. Muitos sentem que se tornaram numa minoria empobrecida na sua própria terra e estão zangados com as limitações que lhes são impostas à prática dos seus costumes culturais e religiosos.
Os uigures iniciaram em Julho protestos violentos por causa de notícias da morte de uigures no Sul da China. O seu alvo foi a comunidade han - milhões de chineses han têm sido deslocados para a zona vindos de outras partes da China.



