As forças policiais australianas anunciaram hoje terem posto em marcha uma unidade especial para dar “caça” aos incendiários que os investigadores crêem terem sido responsáveis pelos fogos florestais que deixaram em cinzas praticamente todo o estado de Vitória, no Sul do país, no passado fim-de-semana. Hoje mesmo, às primeiras horas da manhã, o balanço de vítimas foi actualizado para os 181 mortos – mantendo-se a estimativa de que ainda podem ultrapassar as duas centenas. Os bombeiros prosseguem, de casa em casa, a busca de corpos entre os escombros.
O estado de Vitória vive agora a maior investigação a fogo posto no país – a que a polícia chamou Operação Fénix – com o compromisso assumido perante a opinião pública de capturar e julgar toda e qualquer pessoa que tenha iniciado algum dos incêndios. Ontem, o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, afirmou que a Austrália estava perante um cenário de “homicídio em massa”.
Muitos dos milhares de focos de incêndio que deflagraram na noite de sábado são “suspeitos”, concluíram os investigadores em relatório preliminar, uma vez que não se verificaram eventos naturais – como relâmpagos – que pudessem ter dado início às chamas. Os suspeitos de fogo posto enfrentarão acusações de homicídio involuntário ou mesmo de homicídio em primeiro grau, informou já hoje o presidente do estado de Vitória, John Brumby.
Toda a zona afectada pela voracidade do fogo – intensificada pelas condições climáticas extremas de elevadas temperaturas, baixas taxas de humidade e ventos muito fortes e quentes – foi declarada “zona de crime” pela polícia; envolve mais de 20 cidades a norte de Melbourne e equivale ao dobro da área geográfica de Londres.
Cerca de 25 frentes de incêndio continuavam activas ainda hoje em Vitória, e mais de uma dúzia de cidades estão submetidas a estado de alerta máximo, conforme a força dos ventos aumentou após algum apaziguamento na véspera. “Os fogos ainda não estão suficientemente controlados para que as pessoas baixem a guarda”, alertou o chefe do departamento de emergências da região, Kevin Monk, citado pela agência Reuters.




