A presidência da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), liderada por Mahmoud Abbas, condenou a operação anti-israelita lançada hoje por palestinianos de várias facções contra um posto fronteiriço no sul de Israel, perto da Faixa de Gaza.
"Esta operação é contrária a tudo o que está decidido e uma violação dos acordos aceites pelos líderes palestinianos com quem nos reunimos" no âmbito do diálogo nacional", refere a presidência da ANP em comunicado.
"Sempre alertámos contra os riscos de certos grupos ou facções quebrarem o interesse nacional ao realizarem operações cujo preço é sempre pago pelo povo palestiniano, porque isso nos custará muitos sacrifícios e acentuará o cerco internacional", prossegue o comunicado.
Várias unidades da resistência palestiniana, entre as quais um comando de oito combatentes que utilizou um túnel subterrâneo, atacaram hoje de manhã a base militar israelita de Telem, situada junto do posto fronteiriço de Kerem Shalom, a partir da Faixa de Gaza, acção em que foram feridos seis soldados.
A operação conjunta de combatentes do Movimento Islâmico Hamas, Jihad Islâmica, Comités Populares da Resistência (CPR) e de uma nova organização chamada Exército Islâmico, teve início cerca das seis horas da manhã e custou-lhes cinco mortos.
De acordo com fontes militares israelitas, esta operação não tem precedentes e assemelha-se pelas suas características às da milícia libanesa do Hezbollah.
Segundo fontes das facções envolvidas, o ataque foi uma represália pelo assassinato, há três semanas atrás, do líder dos Comités Populares, Jamal Abu Samhadana, e pela morte de mais de 20 civis de Gaza em ataques da Força Aérea israelita.
Entretanto, o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, responsabilizou a Autoridade Palestiniana liderada por Mahmoud Abbas e o governo do Hamas pelo ataque palestiniano.
"A Autoridade Palestiniana de Mahmoud Abbas e o governo do Hamas são responsáveis, com tudo o que isso implica", declarou Olmert durante a reunião semanal do seu gabinete em Jerusalém.
Olmert realizou de manhã consultas com o seu ministro da Defesa, Amir Peretz, e com o chefe de Estado-maior do Exército, Dan Halutz, tendo decidir lançar de seguida uma importante incursão militar no sul da Faixa de Gaza.
Segundo a rádio militar esta nova incursão do exército na região é a maior operação terrestre naquele território autónomo desde que Israel dali se retirou, em Setembro de 2005.
O ministro da Justiça israelita, Haim Ramon, advertiu na sequência do ataque palestiniano que Israel liquidará todos os que estejam implicados em ataques "terroristas".
"O que se passou esta manhã é muito grave e nós ripostaremos duramente na zona de onde partiram os terroristas, liquidaremos todos os que estejam implicados no terrorismo, independentemente da sua filiação a este ou àquele movimento", declarou Haim Ramon aos jornalistas.



