A ausência de quase todos os líderes árabes e do primeiro-ministro israelita marcou o arranque da cimeira Euro Mediterrânica, em Barcelona. Os 35 participantes têm até amanhã para chegar a acordo sobre três documentos, sendo o mais polémico o Código de Conduta antiterrorista.
Dos dez parceiros mediterrânicos da União Europeia (UE) convidados a esta cimeira para tentar relançar a associação estratégica criada em 1995, apenas a Autoridade Palestiniana e a Turquia estão representadas pelos seus mais altos responsáveis governamentais, Mahmoud Abbas e Recep Tayyip Erdogan.
De notar a ausência dos chefes de Estado ou de Governo da Argélia, Egipto, Israel, Jordânia, Marrocos e Tunísia. Os Presidentes da Síria e do Líbano não foram convidados pela presidência britânica da UE devido à controvérsia sobre o inquérito da ONU sobre o assassinato do primeiro-ministro libanês Rafic Hariri.
“Algumas ausências foram justificadas, outras não”, comentou o presidente do Parlamento Europeu, Josep Borrell.
José Luís Rodriguez Zapatero, chefe do Governo espanhol, coordenou esta tarde uma reunião com todos os participantes da cimeira para os informar do projecto de Aliança das Civilização que lançou formalmente com Erdogan. O grupo de alto nível da ONU criado hoje deverá apresentar “soluções concretas” para fomentar o diálogo entre o Islão e o Ocidente.
Zapatero garantiu que “consideraria a cimeira um sucesso se permitisse concluir um plano de acção de cinco anos” sobre o problema da regulação da imigração clandestina. O documento, um dos três a serem adoptados pelos 35 participantes até amanhã, é o que coloca menos problemas.
O mais polémico é o Código de Conduta antiterrorista.
O Egipto e a Tunísia têm fortes resistências às pressões europeias para que se comprometam em matéria de boa governância, democratização e direitos das mulheres.
A nova chanceler alemã, Angela Merkel, disse que esta cimeira, a primeira na qual participa, “deve enviar a mensagem segundo a qual somos interdependentes no seio da região Mediterrânica”.
Vários milhares de pessoas manifestaram-se hoje no centro de Barcelona contra a guerra.


