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Estados Unidos

Atirador de Fort Hood estava prestes a ser destacado para o Iraque

06.11.2009 - 08:47 Por Rita Siza, Washington, Washington

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A base de Fort Hood esteve em lock-down A base de Fort Hood esteve em lock-down (Department of Defense Video/Reuters)
O exército norte-americano identificou o Major Nidal Malik Hasan, um médico especialista em saúde mental de 39 anos, como o autor do tiroteio que matou doze pessoas e feriu pelo menos outras 31 no centro de Fort Hood, a maior base militar do mundo, situada no centro do estado do Texas.

Os motivos de Hasan, que foi atingido múltiplas vezes no local, num fogo cruzado com agentes da polícia militar, permanecem desconhecidos. Inicialmente o Major foi dado como morto, mas oito horas depois do ataque o exército clarificava que afinal está vivo, internado sob custódia das autoridades, e em estado considerável estável. Três outros soldados, suspeitos de serem cúmplices no ataque, foram detidos, mas dois deles foram posteriormente libertados

“Uma horrível explosão de violência”, qualificou o Presidente Barack Obama, numa curta declaração depois de ser informado da ocorrência. “Já é difícil perder americanos em batalhas em países distantes; é especialmente horrendo saber que eles foram atacados numa base militar em território americano”, considerou.

O tiroteio irrompeu ao início da tarde de ontem (por volta das 13h30, hora local do Texas), nas imediações do Howze Theatre, onde se preparava uma cerimónia de graduação para os soldados que terminaram o ensino universitário. O edifício é contíguo ao “Soldier Readiness Processing Center”, o centro onde os soldados vão prestar testes e receber ordens antes de serem destacados para o teatro de guerra.

Aparentemente, o Major Hasan seria um dos milhares de soldados de Fort Hood que estão prestes a partir para a guerra do Iraque (a informação não foi ainda confirmada pelo Departamento da Defesa). O médico psiquiatra trabalhava no centro médico da base militar texana desde Julho, depois de ter feito um treino em trauma e stress de combate, no hospital Walter Reed de Washington, o maior hospital militar dos Estados Unidos, onde trabalhara nos últimos seis anos.

Nascido e criado no estado da Virginia, Nidal Malik Hasan é filho de imigrantes de uma pequena aldeia próxima de Jerusalém. Alistou-se no exército aos 17 anos de idade, estudou na universidade Virginia Tech e especializou-se em psiquiatria na Universidade de Ciências Médicas do exército, em Bethesda.

Os familiares de Hasan, dois irmãos e vários primos, desconheciam que ele seria destacado para a guerra em breve. Segundo contaram a vários jornais americanos, o Major começara a manifestar dúvidas quanto à sua permanência no exército, depois de ter sido atacado por vários camaradas pelo facto de ser muçulmano.

Antigos companheiros de Hasan como o Coronel Terry Lee, deram conta da alegada oposição do Major à manutenção das tropas americanas no Iraque e Afeganistão, dizendo que este considerava erradas as razões para a intervenção dos Estados Unidos e apoiava a retirada total daqueles dois países.

Autoridades acreditam que o Major Hasan agiu sozinho

Uma reconstituição fidedigna dos acontecimentos ainda está por ser apresentada. Alegadamente, o Major Hasan estaria munido com duas armas, uma semi-automática e possivelmente uma espingarda de canos. Nenhuma das armas era militar (aliás, os soldados não estão autorizados a carregar armas no interior das bases).

Os relatos apontam para a troca de tiros tanto no Howze Theatre como no Soldier Readiness Processing Center, e várias testemunhas afirmaram ter visto mais do que um atirador. As autoridades acreditam, contudo, que o Major Hasan agiu sozinho.

“Um atirador entrou no Soldier Readiness Center, onde se encontravam os soldados a fazer tratamentos dentários e outros ‘check-ups’ médicos antes de partir para o Iraque. Essencialmente o atirador abriu fogo, mas graças a uma rápida resposta das forças policiais foi abatido”, contou o Tenente-General Robert Cone, comandante do III Corps.

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Doze mortos em tiroteio na maior base militar do mundo

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Comentário + votado

Se o psiquiatra está neste estado...

... nem quero pensar como estarão os pacientes.

Carlos Ferreira

06.11.2009 09:18

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