O balanço de vítimas mortais no Paquistão, no atentado contra a antiga primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, subiu nas últimas horas para 130. Cerca de 400 pessoas ficaram feridas no atentado suicida.
O mais recente balanço foi feito à AFP por responsáveis de cinco hospitais de Carachi, onde deram entrada os cadáveres e os feridos.
Benazir Bhutto escapou ilesa ao atentado, no regresso de oito anos de auto-exílio a Carachi. Foi de um momento para o outro. A líder do Partido do Povo Paquistanês (PPP) acabara de regressar, saudada por uma multidão calculada em 250 mil pessoas, quando ocorreram dois rebentamentos perto do veículo em que seguia - um contentor de transporte especialmente modificado, com vidros à prova de bala.
O comboio que levava a líder do PPP passava entre os partidários quando tudo aconteceu. Os autores terão sido dois "kamikazes", segundo o ministro do Interior.
O atentado contra Benazir Bhutto foi fortemente condenado dentro e fora do país. O Presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, considerou-o em comunicado uma "conspiração contra a democracia". Nos Estados Unidos, o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, classificou-o de "brutal" e disse que "os extremistas não serão bem sucedidos querendo impedir os paquistaneses de escolher os seus representantes através de um processo democrático e aberto". Referia-se às legislativas do próximo ano. No Reino Unido, o titular do Foreign Office, David Miliband, classificou-o como "horroroso". O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou-o "vivamente". O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentou "condolências" a Musharraf e às famílias das vítimas.
A União Europeia também já condenou "com veemência" o atentado suicida. "A UE condena com veemência o ataque terrorista contra o cortejo de Benhazzir Bhutto", declarou a presidência portuguesa da União Europeia em comunicado, sublinhando que as vítimas participavam num desfile pacífico nas ruas de Karachi.
A UE considera que actos deste tipo "colocam em perigo o processo eleitoral" e "apela às autoridades paquistanesas e todas as forças políticas do país a fazer tudo para que as próximas eleições sejam preparadas e decorram num clima propício à liberdade de expressão da vontade dos eleitores".



