Pelo menos 12 pessoas mortas e muitas mais feridas foi hoje o balanço de um ataque islamista a áreas de Mogadíscio controladas por tropas governamentais e por soldados da União Africana (UA).
Este novo surto de violência num país que há 19 anos perdeu a sua unidade prejudicou os planos para assinalar o primeiro aniversário da eleição de Sharif Ahmed para Presidente de uma administração cujas estruturas não chegam à maior parte do território somali.
Dos 12 mortos, dois eram militantes do próprio grupo atacante, o Al-Shabaab, associado à rede terrorista Al-Qaeda, de Osama bin Laden, disse o xeque Ali Mohamud Raghe, porta-voz daquela milícia extremista.
Os feridos foram pelo menos 30, mas este é ainda um balanço provisório, segundo notaram foram médicas citadas pela CNN.
O ataque de hoje de madrugada incluiu tanto peças de artilharia pesada como armas automáticas, tendo os que o lançaram dito que “infligiram pesadas baixas” tanto às tropas governamentais como às estrangeiras.
As áreas atacadas, numa cidade que as autoridades não conseguem controlar, incluíram o troço estratégico que se situa entre o aeroporto e o porto de Mogadíscio.
O país vive mergulhado no caos desde o início de 1991, quando os diferentes senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre, último líder que chegara a ter autoridade sobre a generalidade da Somália.
A actual administração transitória presidida pelo xeque Sharif Ahmed é pouco mais do que uma ficção, pois que no Norte a antiga Somalilândia outrora colonizada pelos britânicos se considera hoje em dia uma república independente e no Nordeste a Puntlândia também está a viver de forma autónoma.
Quanto à milícia islamista Al-Shabab, que hoje actuou uma vez mais, é considerada pelos Estados Unidos uma organização extremista, acusada inclusive de ataques suicidas.
Para além de combater o frágil Governo, o grupo também ameaça os soldados de outros países africanos que já têm contingentes na Somália ou que pelo menos se encontram dispostos a fazê-lo, como a Etiópia, Djibuti, o Quénia, a Eritreia, o Sudão e o Uganda.
Ainda ontem, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidira por unanimidade autorizar a Missão Africana na Somália (Amisom) a permanecer lá por mais um ano, incitando-o a que elevasse os seus efectivos para 8.000 homens.
Tendo principiado a instalar-se no mês de Março de 2007, a Amisom ainda só tem 5300 efectivos, o que é manifestamente pouco para um país bem maior do que a França (mas que não chega a ter 10 milhões de habitantes).



