A consulta em que os suíços votaram para proibir a construção de minaretes foi ontem criticada pela Liga Antidifamação, um grupo judeu que apela ao Governo helvético para "estar vigilante na sua defesa da liberdade de religião".
A Liga lembra que esta "não foi a primeira vez que o voto popular suíço serviu para promover a intolerância religiosa". "Há um século, um referendo suíço baniu o ritual judeu de matar animais, numa tentativa para expulsar a população judaica", recordou o grupo num comunicado citado pelo jornal de maior circulação em Israel, o "Yedioth Ahronoth".
"Partilhamos as preocupações manifestadas pela Federação das Comunidades Judaicas Suíças e pensamos que aqueles que iniciaram a campanha antiminaretes podem tentar corroer ainda mais a liberdade de religião", afirmam os responsáveis da Liga, uma organização sediada nos Estados Unidos e que tem por objectivo combater a difamação do povo judeu.
Tal como os líderes católicos ou protestantes, os judeus da Suíça estiveram ao lado dos muçulmanos durante a campanha, promovida pelo SVP, o maior partido do Parlamento suíço.
As ondas de choque provocadas pelo "sim" suíço à proibição dos minaretes, no domingo, continuam. Sucedem-se críticas, mas também sinais de que, em alguns países europeus, podemabrir-se debates sobre as regras de construção de mesquitas.
Sabe-se que em França, o Presidente, Nicolas Sarkozy, já se reuniu com o seu partido para debater o assunto e que vê no resultado da consulta um medo, mais geral, de populações que vêem os seus países serem "descaracterizados", cita a AFP. "Ele disse-nos que esta é a prova de que as pessoas, na Suíça como em França, querem manter a sua identidade", disse Sarkozy, descreveu à agência um deputado do partido da maioria, a UMP.
Sarkozy iniciou em Novembro um debate nacional dedicado precisamente a apurar o que significa para os cidadãos do país "ser francês".
Nos países muçulmanos, mas também europeus, prosseguem as críticas. Da Turquia chegou um apelo para que os muçulmanos retirem o dinheiro dos bancos suíços - o mesmo apelo feito pelo líder dos Verdes no Parlamento Europeu, Daniel Cohn-Bendit. "As portas do sector bancário turco estão abertas", disse o ministro dos Assuntos Europeus, Egemen Bagis.
A Líbia denunciou a consulta como um "referendo racista". A reacção de Trípoli era das mais esperadas em Genebra, já que as relações entre os dois países estão tensas desde a detenção de Hannibal, o filho do coronel Muhammar Kadhafi. Dois homens de negócios suíços condenados na Líbia por crimes de imigração vão ser julgados por novas acusações, anunciaram as autoridades líbias.



