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Em entrevista ao canal norte-americano ABC

Presidente sírio descarta culpas pela repressão sangrenta da revolta

07.12.2011 - 12:13 Por Dulce Furtado

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Regime de Bashar al-Assad tem feito ouvidos moucos à comunidade internacional Regime de Bashar al-Assad tem feito ouvidos moucos à comunidade internacional  (Foto: Benoit Tessier/Reuters)
O Presidente sírio, Bashar al-Assad, rejeitou ter qualquer culpa na morte de mais de quatro mil pessoas, segundo estimativas, durante a repressão que as autoridades exercem há quase dez meses contra o movimento de contestação ao regime, e que se transformou já numa revolta armada no país.

Numa entrevista ao canal norte-americano ABC, Assad admitiu que foram cometidos “erros”, mas insistiu também que jamais deu ordens ao exército sírio “para matar ou usar violência” contra os manifestantes. “Só um louco” o faria, afirmou o Presidente, que, como tal, é efectivamente o comandante das forças armadas sírias, e avançando ainda não ser “dono” das forças de segurança nem do país.

“Fiz o meu melhor para proteger o povo, por isso não há razão nenhuma para me sentir culpado. Lamento a perda de vidas. Mas não se sente culpa quando não se é responsável pela morte de ninguém”, avaliou o contestado Presidente, entrevistado pela jornalista Barbara Walters.

Questionado sobre os relatos de detenções maciças no país, em que polícia e soldados fazem buscas casa a casa nas cidades revoltosas, Assad sustentou que “as fontes [daquelas informações] não são credíveis”. “É preciso estar aqui para ver o que se passa. Nós não vemos nada disso. Por isso não podem acreditar naquilo que ouvem”.

As autoridades sírias – veementemente condenadas pela comunidade internacional face à violenta vaga de repressão – não permitem a entrada no país de nenhum jornalista estrangeiro nem de qualquer missão de observadores internacionais, e toda a informação que passa as fronteiras da Síria provém das fontes oficiais, por um lado, e de activistas e organizações locais de defesa dos direitos humanos.

As Nações Unidas, com base em relatos oriundos da Síria, estimam que morreram já mais de quatro mil pessoas desde que as primeiras manifestações eclodiram, em meados de Fevereiro, num protesto contra a corrupção no aparelho de Estado – e inspiradas pelos movimentos de revolução da Primavera Árabe que acabaram por depor os regimes autoritários da Tunísia, Egipto, Iémen e Líbia.

Àqueles primeiros protestos, o regime respondeu com a mobilização de tropas e tanques para as cidades revoltosas, argumentado estar a combater “grupos de criminosos armados”, ao que se seguiu, no último par de meses, um agudizar da convulsão com um crescente número de soldados a desertarem para a oposição a Assad e a abraçarem uma luta armada. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, descreveu há apenas uma semana que a situação actual no país é já uma “guerra civil”.

Na entrevista à ABC, transmitida nesta quarta-feira, Assad contesta a estimativa de vítimas mortais feita pelas Nações Unidas e sustentou mesmo que “a maioria” dos mortos são “partidários do regime e não o contrário”.

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Comentário + votado

Claro...

... os "inteligentes" e "bem informados" comunistas obtêm as suas informações pelas cadeias ...

Felipe Gomes

08.12.2011 18:22

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