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Activistas pelos direitos dos imigrantes falam em discriminação

As carrinhas de cachorros quentes poderão ser banidas nos bairros ricos na Florida

29.02.2012 - 23:31 Por PÚBLICO

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A venda de cachorros quentes na rua é uma tradição dos vários estados norte-americanos A venda de cachorros quentes na rua é uma tradição dos vários estados norte-americanos (Stan Honda/AFP)
Fazem parte da paisagem de quase toda a América, mas em alguns bairros ricos da Florida não são bem-vindos. Já foram apresentadas propostas para acabar com os vendedores ambulantes de gelados e cachorros quentes.Uns falam segurança alimentar, outros em afastar pobres de ricos.

Há quem argumente com questões de higiene e segurança alimentar, mas Sean Cononie, o “editor” de uma publicação improvisada que é vendida nas ruas de bairros ricos da Florida, chamada “A voz dos desamparados”, tem outra opinião. “O que se passa aqui é que esta gente não gosta de ver os desamparados tocar nos vidros dos seus carros na esquinas, e a tratar de ganhar a vida”, disse ao diário espanhol El Mundo.

Nas últimas semanas, administradores e políticos de zonas ricas da Florida, como Pembroke Pines, Hollywood, Davie, Fort Lauderdale, Miramar e Margate, apresentaram projectos para acabar com os vendedores de gelados e cachorros quentes na rua, uma tradição bem conhecida de todos os estados norte-americanos. E tudo se resume a uma questão, escreveu o El Mundo : “Nos bairros ricos, ser pobre não é bonito”.

A maioria das pessoas que vendem cachorros e gelados na rua são hispânicos ou imigrantes, por isso várias organizações defenderam que o que está em debate resulta de uma discriminação. Mas para o responsável da administração local de Pembroke Pines, Ángel Castillo, estes vendedores devem ser banidos. “As pessoas estão cansadas destas pessoas que vendem comida nas ruas, nas camionetas, dos vendedores nas esquinas que atraem todo o tipo de pessoas, mendigos, desamparados que, em todas as esquinas, andam em volta dos carros a pedir dinheiro”, disse, citado pelo El Mundo.

Castillo não está sozinho na defesa desta medida. Uma habitante de Pembroke Falls, Terri Sciarretti, confessou à edição online do Sun Sentinel que passa para o outro lado da estrada quando ouve a música do carrinho de gelados. “Não tenho uma opinião sobre bani-los, mas não compraria ali nada para mim ou para a minha família”. A questão da higiene alimentar tem sido referida e o próprio Ângelo Castillo manifestou dúvidas quanto ao facto de estes comerciantes terem as licenças necessárias do departamento de saúde.

Esta não é a primeira vez que a situação dos vendedores ambulantes é abordada na Florida. Em Palm Beach, o mais famoso local de férias de centenas de milionários norte-americanos, já foram proibidas estas vendas, bem como os pedidos de dinheiro nem que seja para causas nobres. E também em Coral Springs as carrinhas de gelados foram banidas em 1980, depois de um destes veículos ter atropelado uma criança.

Para Castillo, os vendedores ambulantes “estão a mudar o carácter da comunidade de Pembroke Pines”, uma das mais luxuosas da Florida. Numa reunião aberta ao público chegou mesmo a dizer que “a sociedade mudou e hoje existem preocupações sobre se estes vendedores se encontram legalizados e se é saudável consumir os produtos que vendem”. E acrescentou: “A música que usam para atrair os clientes acorda as pessoas que estão a dormir”.

Activista e defensora dos direitos dos imigrantes, Alicia Machado Virgues contou ao El Mundo a sua versão do que se está a passar na Florida e que, diz, não é difícil de explicar. “Os norte-americanos deixaram de fazer estes trabalhos. Consideram-nos uma coisa de segunda e terceira classe. A maioria dos que vendem nas ruas são latinos e estas pessoas não os querem ter por perto. Essa é que é a verdade.”


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