Armadores sugerem bloqueio naval à Somália para combater pirataria

24.11.2008 - 18:31 Por PÚBLICO, Agências
Armadores internacionais defenderam hoje a imposição de um bloqueio naval à Somália, para impedir novos sequestros de navios que passam pelo corredor marítimo vizinho, mas a NATO já descartou este cenário a breve prazo.
O apelo foi lançado depois de semanas marcadas por uma sucessão de ataques de piratas somalis a navios no golfo de Áden (estreita faixa de mar que separa a Somália do Iémen) e junto à costa africana do Índico. A mais espectacular destas acções ocorreu no dia 15, quando um superpetroleiro saudita foi atacado a 800 quilómetros do porto queniano de Mombaça. A embarcação, com 300 mil toneladas e crude e os seus 25 tripulantes, foram depois levados para um porto no nordeste da Somália, controlado por organizações armadas.
Preocupada com esta situação – que já levou muitas companhias a desviar os seus navios do canal do Suez para a rota com passagem pelo Cabo da Boa Esperança –, a Associação Internacional de Armadores Petrolíferos (Intertanko) defendeu hoje o envio de mais meios militares para as costas da Somália e “uma acção internacional coordenada” para garantir a segurança numa zona de “importância estratégica para o comércio mundial.
Em declarações aos jornalistas à margem de um encontro a decorrer em Kuala Lumpur, na Malásia, Peter Swift, director da Intertanko que diz que “a outra opção poderá passar talvez por um bloqueio naval à Somália, introduzindo a ideia de interceptar as embarcações [piratas] assim que saem do país, em vez de tentar proteger todo o golfo de Áden”.
Actualmente encontram-se na região forças navais enviadas por nove países, mas os analistas consideram virtualmente impossível patrulhar uma área tão vasta como aquela onde desde o início do ano foram atacados 95 embarcações, das quais 39 acabaram por ser sequestradas.
A organização, que representa 75 por cento da frota mundial de petroleiros, voltou ainda a pedir às Nações Unidas que clarifiquem as situações em que os navios militares estão autorizados a intervir para evitar sequestros em águas internacionais.
Confrontado com a sugestão de um bloqueio naval, o secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, garantiu que a organização não está a ponderar um bloqueio naval ou qualquer tipo de operação terrestre na Somália. “As resoluções do Conselho de Segurança não incluem esse tipo de acções e no que à NATO diz respeito não estão em cima da mesa”, afirmou.
Por seu lado, o alto representante da UE para a política externa, Javier Solana, escusou-se a comentar a proposta da Intertanko, garantindo apenas que a missão naval europeia, com início previsto para 8 de Dezembro, “terá regras claras” sobre as situações em que poderá usar a força.
Já o Conselho Marítimo do Báltico e Internacional, a maior organização de armadores privados, acredita que a ideia de bloqueio poderá funcionar. “Poderá evitar que os chamados navios-almirante regressem aos portos para reabastecer e continuarem a perseguir os navios mercantes”, afirmou Thomas Timlen, responsável asiático da organização.


