O último balanço oficial do duplo atentado de ontem em Argel dá conta de 31 mortos, incluindo cinco estrangeiros, mas as autoridades continuam a remover destroços em busca de mais vítimas.
Nas últimas horas, vários feridos tiveram alta, mas 28 pessoas permanecem internados nos hospitais da capital argelina, alguns dos quais em estado grave.
Ontem, fontes hospitalares, citadas pelas agências internacionais, davam conta de 62 mortos, mas o número viria a ser revisto ao início da noite pelas autoridades, alegando a existência de duplicação de números, dada a confusão instalada nos serviços de saúde da cidade.
Esta tarde, o Ministério do Interior fez acompanhar o novo balanço oficial de vítimas de uma lista com a identidade dos mortos já identificados, entre eles cinco estrangeiros.
Enquanto as famílias preparam os funerais de um dos piores atentados a atingir o país desde o final da guerra civil, as equipas de socorro continuam a escavar os destroços dos dois edifícios da ONU esventrados pela explosão de um dos carros armadilhados, em busca de cinco pessoas que continuam dadas como desaparecidas.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, confirmou que pelo menos onze funcionários da organização perderam a vida no ataque.
O outro carro armadilhado explodiu junto aos edifícios do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal, atingido em cheio um autocarro escolar cheio de estudantes, que se dirigia para a faculdade de Direito.
Os ataques foram reivindicados pela organização da Al-Qaeda para o Magrebe Islâmico, designação adoptada pela Grupo Salafita para a Prédica e Combate (CSPC) quando anunciou a sua obediência a Osama bin Laden.
Questionado sobre o envolvimento de operacionais estrangeiros nos atentados, o ministro do Interior argelino, Yazid Zerhouni, disse que, seja qual for a designação adoptada, as autoridades estão a lidar com as mesmas pessoas que há anos lutam no país pela instauração de um estado islâmico. “Esta é uma acção do GSPC”, afirmou.
Dissidente dos Grupos Islâmicos Armados (GIA), que na década de 1990 lideraram a sangrenta luta dos fundamentalistas contra o Governo de Argel, o GSPC foi o único grupo a rejeitar a amnistia oferecida pelo Presidente, Abdelaziz Bouteflika, para pacificar a sociedade argelina.
Zerhouni admitiu que os terroristas aproveitaram "uma redução da vigilância" para levar a cabo os ataques e prometeu um "reforço" da segurança e maior "firmeza" na repressão dos grupos armados.


